Reapresentação da 'emenda Master' é erro e custo vai para consumidor, diz economista
Reapresentação da 'emenda Master' é erro, diz especialista

O economista Reinaldo Cafeo considera um erro a reapresentação da chamada 'emenda Master' pelo senador Ciro Nogueira (PP). A proposta, que prevê a correção da garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) pela taxa Selic, gerou polêmica e acendeu alertas sobre seus impactos no sistema financeiro e no bolso do consumidor.

O que é a 'emenda Master'?

Em vídeo publicado nas redes sociais, Ciro Nogueira afirmou que vai reapresentar no Senado a emenda, originalmente proposta em 2024. Segundo a Polícia Federal, o texto teria sido redigido pelo próprio Banco Master. O senador argumenta que a garantia atual de R$ 250 mil, se corrigida pela Selic, chegaria hoje a R$ 840 mil. No entanto, especialistas apontam que a medida pode ter consequências negativas.

Custo para o consumidor

Reinaldo Cafeo, economista ouvido pela reportagem, destaca que não existe 'almoço grátis'. O FGC é abastecido pelas instituições financeiras, mas esses custos são repassados ao mercado. 'Os bancos incorporam essa despesa à estrutura operacional e, consequentemente, às linhas de crédito', explica. O resultado seria um reajuste nas taxas de juros cobradas de empresas e consumidores, ainda que de forma gradual.

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FGC como ferramenta comercial e eleitoral

Cafeo critica o uso do FGC como instrumento de marketing. A garantia deveria ser uma rede de proteção para pequenos investidores em CDBs, LCIs e poupança. 'Quando a cobertura passa a ser usada como chamariz para atrair recursos, há um desvio da finalidade original', afirma. Para ele, a estratégia do Banco Master transforma um mecanismo técnico em argumento de marketing financeiro.

Decisão técnica ou política?

A discussão também envolve aspectos legais e institucionais. Propostas semelhantes não avançaram antes porque o tema é considerado de competência do Banco Central, não do Congresso. Cafeo defende que a análise deve ser estritamente técnica, envolvendo estabilidade bancária e gestão de risco. 'Quando a discussão ganha contornos políticos, aumenta o risco de decisões baseadas em pressão momentânea, ignorando efeitos de longo prazo', pondera.

Impacto sobre grandes e pequenos bancos

Outro ponto delicado é a relação entre bancos grandes e pequenos. As maiores instituições sustentam boa parte do FGC. Se bancos menores usarem a cobertura ampliada para captação agressiva, os grandes podem rever suas estratégias, desequilibrando o fundo. 'A conta pode ficar desbalanceada dentro do sistema', alerta Cafeo.

Efeito colateral sobre o investidor

O efeito colateral pode atingir justamente quem o FGC pretende proteger. Se os bancos reduzirem a oferta de produtos cobertos para escapar de custos maiores, aplicações tradicionais perderiam espaço para modalidades sem garantia. 'O pequeno investidor, em busca de rentabilidade, pode migrar para produtos mais arriscados sem perceber que abriu mão de proteção importante', conclui o economista.

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