Fed mantém juros nos EUA entre 3,5% e 3,75% e sinaliza cautela
Fed mantém juros e sinaliza cautela com inflação

O Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, decidiu nesta quarta-feira (29) manter a taxa básica de juros no intervalo entre 3,5% e 3,75%, em meio a um cenário de incertezas provocadas pela guerra no Oriente Médio e pela recente pressão sobre os preços da energia. A decisão, amplamente esperada pelo mercado, marca o terceiro encontro consecutivo sem alterações nos juros.

Comunicado do Fed: inflação e riscos geopolíticos

No comunicado oficial, o Fed afirmou que a economia americana continua crescendo em ritmo sólido, mas destacou que a inflação permanece elevada, impulsionada em parte pela alta global do petróleo decorrente das tensões geopolíticas. O banco central americano também ressaltou que os acontecimentos no Oriente Médio elevaram significativamente o nível de incerteza sobre o cenário econômico, reforçando que seguirá atento aos riscos ligados ao seu duplo mandato: controle da inflação e sustentação do emprego.

Análise do mercado: comunicado levemente hawkish

Para Beny Fard, sócio da B8 Partners e especialista em investimentos internacionais, o comunicado trouxe mudanças sutis, mas relevantes, principalmente na avaliação sobre o mercado de trabalho. “O desemprego, que antes era descrito como ‘baixo’, agora aparece com ‘alguns sinais de estabilização’. É o primeiro reconhecimento de que o mercado de trabalho começou a responder ao ambiente de juros elevados”, afirma. Segundo ele, a leitura predominante do mercado foi de um comunicado “levemente hawkish”, sem sinalização clara de cortes de juros no curto prazo. “A linguagem sobre inflação foi mantida e o Fed mostrou preocupação tanto com inflação persistente quanto com uma desaceleração mais forte da economia”, diz.

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Retirada de referências diretas ao Irã

Outro ponto que chamou atenção dos investidores foi a retirada de referências diretas ao Irã no comunicado. Em março, o Fed mencionava explicitamente os desdobramentos no Oriente Médio envolvendo o país. Agora, optou por uma formulação mais ampla sobre os riscos geopolíticos, movimento interpretado pelo mercado como uma tentativa de preservar flexibilidade diante da imprevisibilidade do cenário internacional.

Resiliência econômica e sinais de desaceleração

Na avaliação de Bruno Yamashita, coordenador de Alocação e Inteligência da Avenue, o Fed reconheceu que a atividade econômica americana continua resiliente, mas admitiu sinais de desaceleração no mercado de trabalho ao mesmo tempo em que a inflação sofre pressão do choque no petróleo. “O conflito e as tensões no Oriente Médio trouxeram um grau de incerteza bastante grande para a atividade econômica e para a tomada de decisão do Fed”, afirma. Segundo ele, a manutenção dos juros fez sentido diante da dificuldade de prever quando haverá uma normalização dos preços da energia e do cenário geopolítico.

Divisão no comitê e reação do mercado

Yamashita também destacou a divisão dentro do comitê de política monetária. Stephen Miran votou por um corte imediato de 0,25 ponto percentual, enquanto outros três dirigentes defenderam manter os juros, mas com um comunicado ainda mais duro. Segundo o especialista, não havia quatro votos divergentes em uma decisão do Fed desde 1992. Após a decisão, o mercado reagiu com cautela. O rendimento dos títulos americanos de 10 anos avançou para 4,41%, enquanto o dólar ganhou força frente ao real, refletindo a percepção de que os juros elevados devem permanecer por mais tempo nos Estados Unidos.

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