Varejo brasileiro mostra resiliência e atinge volume recorde em janeiro, aponta IBGE
Varejo atinge volume recorde em janeiro, mostra IBGE

Varejo brasileiro atinge volume recorde em janeiro com crescimento de 0,4%

O comércio varejista brasileiro demonstrou notável resiliência frente ao cenário de juros elevados, registrando um crescimento de 0,4% no volume de vendas em janeiro de 2026, conforme dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Esse avanço foi suficiente para retomar o patamar recorde observado em novembro do ano anterior, marcando o maior volume comercializado desde o início da série histórica em janeiro de 2000.

Setores que impulsionaram o crescimento

O desempenho positivo do mês foi sustentado principalmente pelo aumento nas compras em supermercados e de produtos alimentícios em geral, que representam aproximadamente metade do varejo e também cresceram 0,4%. Outros segmentos que se destacaram com altas expressivas incluem:

  • Vestuário e calçados: avanço de 1,8%
  • Artigos farmacêuticos: crescimento de 2,6%

Na comparação com janeiro de 2025, o varejo apresentou um salto significativo de 2,8%, enquanto o acumulado em 12 meses mostra uma expansão de 1,6%, indicando uma trajetória de recuperação consistente.

Desempenho do varejo ampliado surpreende

Quando considerado o varejo ampliado, que inclui setores como veículos, materiais de construção e supermercados de atacado, o aumento no mês foi ainda mais expressivo, atingindo 0,9%. Esse resultado foi puxado principalmente por:

  1. Vendas de veículos: alta de 2,8%
  2. Materiais de construção: crescimento de 3,4%

O fato é particularmente relevante, pois ambos os setores dependem fortemente do crédito e, mesmo assim, mostraram resiliência diante das altas taxas de juros vigentes. Na comparação anual, o varejo ampliado registrou aumento de 1,1% em relação a janeiro de 2025, embora o acumulado em 12 meses permaneça estável, sem variação.

Contexto e perspectivas para o setor

Após uma queda registrada em dezembro, a retomada do crescimento em janeiro sugere que o comércio varejista está encontrando formas de se adaptar ao ambiente econômico desafiador. A capacidade de setores sensíveis ao crédito, como automóveis e construção, de apresentarem desempenho positivo indica uma possível flexibilização nas condições de financiamento ou uma maior confiança do consumidor.

Os dados do IBGE reforçam a importância do varejo como termômetro da economia brasileira, mostrando que, mesmo em um contexto de restrições monetárias, a atividade comercial consegue manter dinamismo e alcançar marcas históricas.