A Vale, uma das maiores produtoras de minério de ferro do mundo, divulgou nesta terça-feira (28) um lucro líquido de US$ 1,9 bilhão no primeiro trimestre de 2026, representando um avanço de 36% em relação ao mesmo período do ano anterior. O resultado foi impulsionado pelo aumento no volume de vendas e pela elevação nos preços de seus principais produtos. Apesar do crescimento, o lucro ficou ligeiramente abaixo da projeção dos analistas, que esperavam US$ 2 bilhões, conforme dados compilados pela LSEG.
Desempenho operacional e vendas
A companhia havia reportado anteriormente um crescimento de 3,9% no volume de vendas de minério de ferro entre janeiro e março, totalizando 68,7 milhões de toneladas, na comparação com o primeiro trimestre de 2025. O preço médio do minério de ferro também subiu 5,5% no período. O CEO da Vale, Gustavo Pimenta, destacou em nota: "Entregamos um início sólido em 2026, refletindo nossa execução disciplinada, excelência operacional e o contínuo desenvolvimento de projetos estratégicos em todo o nosso portfólio."
Ebitda e receita
O lucro operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado atingiu US$ 3,83 bilhões, alta de 23% em relação ao ano anterior, impulsionado pelo maior volume de vendas de minério de ferro no primeiro trimestre desde 2018. A receita líquida de vendas avançou 14%, para US$ 9,26 bilhões, beneficiada também pelo aumento nos volumes vendidos de níquel e cobre. Pimenta afirmou: "Durante o trimestre, alcançamos recordes de produção em múltiplos ativos, demonstrando a força de nossas operações."
Destaques operacionais
Um dos destaques foi a operação S11D, no Pará, que registrou a maior produção de minério de ferro para um primeiro trimestre. Segundo Pimenta, o "portfólio flexível" da companhia permitiu capturar oportunidades em um ambiente de mercado robusto, enquanto a busca por eficiência de custos preserva a competitividade. O custo caixa C1 do minério de ferro subiu 12% na comparação anual, para US$ 23,6 por tonelada, impactado pela apreciação do real frente ao dólar. Os custos all-in do minério de ferro ficaram em US$ 55,4 por tonelada, 8% maiores ano contra ano.
Metais básicos
Na Vale Metais Básicos, que reúne ativos de níquel e cobre, o CEO disse que a empresa colheu resultados das iniciativas de otimização de ativos, resultando em maior produção e menores custos.
Fluxo de caixa e dívida
A companhia informou um fluxo de caixa livre recorrente de US$ 813 milhões, aumento de US$ 309 milhões na comparação anual. A dívida líquida expandida chegou a US$ 17,8 bilhões ao fim do trimestre, um aumento de US$ 2,2 bilhões em relação ao trimestre anterior. Segundo a Vale, a alta foi influenciada pelo pagamento de US$ 2,7 bilhões em dividendos e juros sobre capital próprio, parcialmente compensado pela geração de caixa livre.
Investimentos
Os investimentos totalizaram US$ 1,09 bilhão no primeiro trimestre, queda de 7% em relação ao mesmo período do ano passado, mas em linha com a projeção anual da companhia, de US$ 5,4 bilhões a US$ 5,7 bilhões para 2026. Os aportes em projetos de crescimento somaram US$ 182 milhões, recuo de 42%, principalmente devido à redução de desembolsos no segmento de soluções de minério de ferro. A queda reflete o avanço do projeto Capanema e o estágio mais adiantado do projeto Serra Sul +20, cuja entrada em operação está prevista para o segundo semestre de 2026.
Projeto Serra Sul +20
A Vale informou que a construção do projeto Serra Sul +20, de minério de ferro, continua avançando e já atingiu 86% de execução física. "Os testes de carga do transportador de correia foram iniciados em março. A construção do britador de compactos está 91% concluída, com as obras civis finalizadas", afirmou a companhia. Se os investimentos em projetos de crescimento caíram, os aportes para manutenção aumentaram 5% na comparação anual, para US$ 907 milhões, com recursos destinados ao projeto de cobre Bacaba e iniciativas nas operações de pelotização e ferroviária.



