Economia brasileira avança 0,1% no quarto trimestre de 2025
O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil registrou uma variação positiva de 0,1% no período de outubro a dezembro de 2025, conforme dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira, 3 de março de 2026. O resultado ficou completamente alinhado com as projeções do mercado financeiro, que esperava exatamente esse mesmo avanço modesto para o ciclo.
Setores que impulsionaram e frearam o crescimento
O desempenho da economia no trimestre foi sustentado principalmente pelo setor de Serviços, que apresentou um crescimento expressivo de 0,8%. A Agropecuária também contribuiu positivamente, com um avanço de 0,5%. Em contrapartida, o setor da Indústria enfrentou dificuldades significativas, recuando 0,7% no período.
Dentro do segmento industrial, a análise por atividades revela um cenário misto:
- Construção: registrou uma queda acentuada de 2,3%.
- Indústrias de Transformação: recuaram 0,6%.
- Indústrias Extrativas: tiveram um desempenho positivo, com crescimento de 1,1%.
- Eletricidade, gás, água, esgoto e gestão de resíduos: foi o destaque, com um avanço robusto de 1,5%.
O impacto da política monetária restritiva
Os números divulgados refletem claramente os efeitos da política monetária restritiva mantida pelo Banco Central. Com a taxa básica de juros (Selic) estabelecida em 15%, o crédito se tornou consideravelmente mais caro. Esta condição financeira apertada impacta tanto as pessoas físicas, ao desestimular o consumo e o endividamento, quanto as pessoas jurídicas, ao elevar os custos de investimento e operação, pressionando especialmente setores mais sensíveis como a indústria.
O crescimento do setor de serviços, particularmente em subsectores como informação e comunicação, demonstra uma certa resiliência diante deste cenário de juros elevados. Já a contração na indústria, especialmente na construção civil e nas indústrias de transformação, evidencia os desafios impostos pelo custo do capital.
O resultado trimestral consolida um ano de 2025 marcado por uma economia que busca se equilibrar entre o controle inflacionário, via juros altos, e a manutenção de um crescimento, ainda que tímido, puxado por setores específicos. A atenção do mercado e dos analistas agora se volta para os indicadores do primeiro trimestre de 2026, que poderão sinalizar novos rumos para a atividade econômica nacional.
