O governo anunciou nesta segunda-feira (4) o 'Novo Desenrola Brasil', um pacote de medidas para reduzir o endividamento da população brasileira, que está em níveis historicamente elevados. Uma das principais novidades é a liberação de recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para que trabalhadores possam quitar suas dívidas. Pelas regras, será possível usar até 20% do saldo disponível do FGTS para pagar débitos. A estimativa é de que sejam liberados bilhões de reais aos trabalhadores.
Eixos do programa
Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, o programa terá quatro eixos principais: famílias, Fies, empresas e agricultores rurais. Para garantir que os recursos sejam usados para quitar dívidas, a Caixa Econômica Federal transferirá o dinheiro do FGTS diretamente para o banco onde o trabalhador tem débitos. Será possível negociar dívidas de cartão de crédito, cheque especial, rotativo, crédito pessoal e do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), conforme adiantou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na última semana.
Condições e restrições
Os juros serão de, no máximo, 1,99% ao mês, com descontos de 30% a 90% no valor principal da dívida. O governo usará um fundo com recursos públicos para oferecer garantias às instituições financeiras, cobrindo eventuais calotes. Quem renegociar a dívida no programa ficará impedido de fazer apostas em jogos online por um ano.
Endividamento em alta
Dados do Banco Central (BC) mostram que o nível de endividamento está elevado historicamente. Em um ano eleitoral, o governo busca reduzir o comprometimento da renda dos trabalhadores com empréstimos. O BC informou que o comprometimento da renda com pagamentos de operações de crédito atingiu nível recorde no quarto trimestre de 2025. Em março, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, avaliou que quatro choques econômicos impulsionaram a inflação: Covid, guerra na Ucrânia, guerra tarifária dos EUA e conflito no Oriente Médio. Isso corroeu a renda dos trabalhadores, que buscaram complementá-la com financiamentos bancários. Galípolo recomendou que os trabalhadores busquem linhas de crédito mais compatíveis com a renda, evitando o crédito rotativo, que tem taxas punitivas.
Primeiro Desenrola, de 2024
O primeiro programa Desenrola, anunciado em 2023 e vigente até maio de 2024, renegociou R$ 53,2 bilhões em empréstimos de 15 milhões de pessoas, contribuindo para reduzir a inadimplência. O programa começou com a retirada de 10 milhões de registros de dívidas de até R$ 100 dos cadastros de inadimplentes, somando cerca de R$ 1 bilhão. Na Faixa 2, voltada para pessoas com renda mensal de até R$ 20 mil, foram negociados R$ 25,7 bilhões em débitos, com descontos médios de 90% para pagamentos à vista e 85% para parcelados. O ticket médio foi de R$ 250 nas operações à vista e de R$ 1.031 nas renegociações parceladas.



