Mercado mantém projeções de inflação e juros estáveis, aponta Focus do BC
O mercado financeiro brasileiro manteve estáveis as projeções para inflação e taxa de juros, segundo o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (30) pelo Banco Central do Brasil. O relatório semanal, que compila as expectativas de instituições financeiras, indica um cenário de relativa estabilidade macroeconômica para os próximos anos, embora com sinais de pressão inflacionária persistente.
Inflação mostra piora consistente nas projeções
A mediana das projeções para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2026 subiu pela terceira semana consecutiva, passando de 4,17% para 4,31%. Há quatro semanas, a estimativa era de 3,91%, o que demonstra uma piora consistente na percepção inflacionária por parte do mercado. Para 2027, o movimento também é de alta, com a inflação projetada em 3,84%, levemente acima da semana anterior (3,80%).
Já para 2028, a expectativa avançou para 3,57%, enquanto 2029 permanece ancorado em 3,50%. No curto prazo, os dados mensais reforçam essa pressão: a projeção para março subiu de 0,37% para 0,46%, e abril também foi revisado para cima, para 0,46%. A inflação acumulada em 12 meses suavizada já chega a 4,10%, evidenciando uma dinâmica mais resistente dos preços na economia brasileira.
Crescimento econômico permanece em patamar baixo
Do lado da atividade econômica, o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) segue praticamente estável, mas em patamar considerado baixo pelos analistas. A projeção para 2026 foi levemente ajustada para 1,85%, ante 1,84% na semana anterior e 1,82% há quatro semanas. Para 2027, a estimativa permanece em 1,80%, enquanto 2028 e 2029 seguem em 2,0%.
Este cenário indica uma economia com pouca tração de crescimento, mesmo diante de juros ainda elevados. A combinação de inflação persistente e crescimento modesto apresenta desafios para a condução da política econômica nos próximos anos.
Expectativas para taxa de juros indicam Selic elevada por mais tempo
A política monetária continua refletindo esse ambiente desafiador. A expectativa para a taxa Selic em 2026 foi mantida em 12,50%, interrompendo o ciclo de cortes esperado anteriormente. Para 2027, a taxa segue projetada em 10,50%, enquanto 2028 permanece em 10,0%.
Já para 2029, houve leve alta na projeção, de 9,50% para 9,75%, sinalizando que o mercado passou a ver um juro estrutural mais elevado por mais tempo. Esta revisão sugere que as instituições financeiras antecipam um período prolongado de política monetária restritiva para conter as pressões inflacionárias.
Cenário cambial e fiscal mostra estabilidade
No câmbio, as expectativas permanecem relativamente estáveis. A projeção para 2026 ficou em 5,40 reais por dólar, praticamente inalterada nas últimas semanas. Para 2027, a estimativa é de 5,45 reais, enquanto 2028 e 2029 seguem em 5,50 reais.
Entre os indicadores fiscais, o cenário também mostra estabilidade com leve viés de melhora no médio prazo:
- A projeção para o resultado primário de 2026 permanece em déficit de -0,50% do PIB
- Para 2027 aponta -0,40% do PIB
- Para 2028, o déficit é estimado em -0,26% do PIB
- Para 2029, em -0,10% do PIB
Já a dívida líquida do setor público deve encerrar 2026 em 69,9% do PIB, com trajetória de alta ao longo dos anos seguintes, embora com revisões marginais para baixo em alguns períodos.
Setor externo apresenta revisões positivas
No setor externo, o déficit em conta corrente foi revisado positivamente para 2026, passando de 66,8 bilhões de dólares para 65 bilhões de dólares. A balança comercial segue robusta, com superávit projetado em 70 bilhões de dólares para este ano. O investimento direto no país permanece estável em 75 bilhões de dólares, indicando confiança dos investidores internacionais na economia brasileira.
O Boletim Focus continua sendo um importante termômetro das expectativas do mercado financeiro, oferecendo insights valiosos sobre a percepção dos agentes econômicos em relação ao futuro da economia brasileira. A estabilidade geral das projeções, apesar das pressões inflacionárias, sugere um cenário de relativa previsibilidade para os próximos anos.



