O Ibovespa opera em queda nesta terça-feira, refletindo a aversão global ao risco provocada pela falta de acordo entre Estados Unidos e Irã. O impasse mantém o Estreito de Ormuz fechado, reacendendo os temores de inflação global e a possibilidade de retomada do ciclo de alta de juros nos países desenvolvidos. Por volta das 11h30, o principal índice da bolsa brasileira recuava 0,91%, aos 187.859,60 pontos.
Superquarta e temores do mercado
O pessimismo do mercado ocorre na véspera da decisão de juros nos Estados Unidos e no Brasil. Investidores temem que o Federal Reserve (Fed) e o Comitê de Política Monetária (Copom) adotem um tom mais duro devido à escalada do conflito no Oriente Médio, que pode se intensificar com a reunião de países do Golfo Pérsico.
Reunião do Conselho de Cooperação do Golfo
A Arábia Saudita sedia nesta terça-feira, 28, o primeiro encontro presencial de líderes do Golfo Pérsico desde que o Irã lançou ataques de retaliação contra países que abrigam bases americanas na região, há dois meses. A reunião extraordinária do Conselho de Cooperação do Golfo (GCC) — composto por Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Omã — tem como objetivo elaborar uma resposta aos milhares de ataques iranianos com mísseis e drones, segundo uma autoridade do Golfo ouvida pela Reuters. O emir do Catar, o príncipe herdeiro do Kuwait e o rei do Bahrein confirmaram presença, conforme agências estatais.
Os Emirados Árabes Unidos criticaram anteriormente a atuação do GCC na guerra, considerando a resposta do grupo insuficiente. “É verdade que, do ponto de vista logístico, os países do GCC se apoiaram, mas politicamente e militarmente, acredito que a posição foi a mais fraca da história”, afirmou Anwar Gargash, alto funcionário dos Emirados, durante uma conferência no país na segunda-feira. “Eu esperava uma posição fraca como essa da Liga Árabe, e não me surpreende. Mas não esperava isso do GCC — e isso me surpreende.”
Impacto no petróleo e na inflação
Bruno Yamashita, coordenador de Alocação e Inteligência da Avenue, destacou que o conflito no Oriente Médio, sem resolução clara, mantém o preço do barril de petróleo acima dos 100 dólares. “Isso faz com que a inflação acelere tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil, o que pode pressionar juros e dificultar o desempenho do mercado acionário”, concluiu.



