Embora o 1º de maio seja reconhecido internacionalmente como o Dia do Trabalho, os Estados Unidos, país onde o movimento trabalhista que deu origem à data ocorreu, não adotam esse feriado em maio. No país, o chamado Labor Day é celebrado na primeira segunda-feira de setembro, resultado de uma construção histórica e política distinta da que prevaleceu no restante do mundo.
Origens das lutas trabalhistas em Chicago
A origem do Dia do Trabalhador remonta aos protestos iniciados em 1º de maio de 1886, quando centenas de milhares de trabalhadores americanos, especialmente em Chicago, foram às ruas para exigir melhores condições de trabalho, redução da jornada diária para oito horas e direitos básicos em meio à rápida industrialização americana. Na época, jornadas de 12 a 13 horas por dia, durante seis ou até sete dias por semana, eram comuns em diversos setores.
As manifestações se prolongaram por vários dias e culminaram, em 4 de maio, no episódio que ficaria conhecido como Revolta de Haymarket. Durante um ato na praça Haymarket, em Chicago, uma bomba foi lançada em direção à polícia, desencadeando repressão violenta. O confronto deixou mortos entre policiais e civis, além de dezenas de feridos.
Decisão internacional e caminho americano
Em 1889, a Segunda Internacional Socialista, reunida em Paris, escolheu oficialmente o 1º de maio como data internacional de homenagem aos trabalhadores, em referência direta aos acontecimentos de Chicago. A partir daí, diversos países passaram a adotar o feriado, incluindo França, Rússia, Brasil e grande parte da Europa e América Latina.
Nos próprios Estados Unidos, porém, o caminho foi outro. A primeira celebração trabalhista americana ocorreu antes mesmo da Revolta de Haymarket, em 5 de setembro de 1882, quando sindicatos de Nova York organizaram uma grande parada de trabalhadores para demonstrar força política e econômica. A comemoração ganhou adesão progressiva de estados americanos ao longo da década seguinte.
Oficialização do Labor Day em setembro
Em 1894, o presidente Grover Cleveland oficializou o Labor Day como feriado federal na primeira segunda-feira de setembro. A decisão ocorreu em meio a tensões trabalhistas internas, como a greve de Pullman, e é amplamente interpretada por historiadores como uma tentativa de reconhecer institucionalmente os trabalhadores sem associar o governo federal ao simbolismo mais radical e conflituoso do 1º de maio. Ou seja, Washington evitou vincular oficialmente a celebração nacional às revoltas de Chicago e ao crescente movimento socialista internacional que adotava o 1º de maio como símbolo político.



