Dólar atinge R$ 5,12, menor valor desde maio de 2024, sob pressão de tarifas dos EUA
Dólar cai a R$ 5,12, menor patamar desde maio de 2024

O dólar encerrou esta quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026, em forte baixa, cotado a R$ 5,12, o menor patamar desde maio de 2024. A moeda americana continua em uma tendência de queda sustentada, influenciada por fatores internacionais e domésticos que movimentam os mercados financeiros.

Contexto internacional e anúncio de Trump

Os mercados globais estão atentos às tensões comerciais envolvendo os Estados Unidos. Nesta tarde, o representante comercial do país, Jamieson Greer, afirmou que as alíquotas de importação impostas pelo ex-presidente Donald Trump poderão ultrapassar 15%, dependendo do parceiro comercial. As tarifas, que estão fixadas em 10% e entraram em vigor na terça-feira, devem subir para 15% para alguns países e poderão ir além para outros, embora o governo norte-americano não tenha revelado quais nações serão especificamente atingidas.

Impacto no mercado brasileiro

Para Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, o desempenho do real ante à moeda americana ainda é favorecido pelo ingresso de recursos estrangeiros no mercado brasileiro. “O capital é atraído pelo diferencial de juros e pela continuidade do movimento de rotação geográfica e setorial global”, afirma. Desde o início do ano, esses recursos já somam cerca de 38 bilhões de reais na B3, impulsionando a valorização da moeda nacional.

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Ibovespa em queda e movimentação das ações

O Ibovespa, principal índice da bolsa de valores brasileira, caminha para fechar em queda de 0,26% nesta quarta-feira, recuando para os 190,9 mil pontos. Esse recuo reflete um movimento de realização de lucros após o recorde histórico atingido no último pregão, indicando uma correção natural após ganhos expressivos.

Entre as ações de peso no índice, o setor financeiro sofreu perdas significativas:

  • Santander (SANB11) liderou as baixas, com queda de 3,88%.
  • Itaú (ITUB4) recuou 1,68%.
  • Bradesco (BBDC4) caiu 1,45%.

Em contrapartida, o Banco do Brasil (BBAS3) nadou contra a maré e registrou valorização de 1,59%, destacando-se em um cenário geralmente negativo para o segmento.

Cenário político doméstico

No âmbito doméstico, a percepção de um maior equilíbrio na disputa eleitoral contribuiu para a redução dos prêmios de risco dos investidores. Um levantamento da AtlasIntel/Bloomberg, que avalia os impactos do Carnaval sobre a popularidade do governo, apontou que, em um possível segundo turno, o senador Flávio Bolsonaro (PL) tecnicamente empataria com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas estaria numericamente à frente, com 46,3% contra 46,2% das intenções de voto. Essa estabilidade política tem ajudado a acalmar os ânimos no mercado financeiro, reduzindo incertezas.

Perspectivas futuras

Os especialistas alertam que a volatilidade deve persistir nos próximos dias, com os investidores monitorando de perto as decisões sobre tarifas comerciais dos EUA e os desdobramentos políticos no Brasil. A combinação entre fatores externos, como as políticas protecionistas norte-americanas, e internos, como o fluxo de capital estrangeiro e o cenário eleitoral, continuará a ditar os rumos do dólar e do Ibovespa.

Em resumo, o mercado financeiro vive um momento de ajustes, com a moeda americana em baixa histórica e a bolsa brasileira corrigindo após atingir máximas, tudo sob o olhar atento das tensões internacionais e da política doméstica.

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