Dólar dispara para R$ 5,31 com incertezas geopolíticas e alta do petróleo pressionando
Dólar atinge R$ 5,31 com incertezas geopolíticas e petróleo alto

Dólar fecha em forte alta e atinge patamar de R$ 5,31 nesta sexta-feira

O dólar comercial encerrou a sessão desta sexta-feira, 13 de março de 2026, com uma valorização expressiva de mais de 1%, sendo cotado a R$ 5,31. Esse movimento ascendente da moeda americana reflete um cenário externo ainda carregado de incertezas geopolíticas, que continuam a influenciar os mercados financeiros globais.

Conflito no Oriente Médio e alta do petróleo impulsionam busca por segurança

A guerra em curso no Oriente Médio mantém uma volatilidade significativa nos preços do petróleo, com o barril do Brent orbitando a faixa de US$ 100. Essa situação reforça os temores de pressões inflacionárias em escala mundial e sustenta a busca dos investidores por ativos considerados mais seguros, como o próprio dólar.

"Ao mesmo tempo, esse movimento também reflete uma reprecificação das expectativas para a política monetária nos Estados Unidos", analisa Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad. "No mercado implícito de Fed Fund, os investidores passaram a reduzir as apostas de cortes de juros pelo Federal Reserve".

Inflação americana e agenda de reuniões dos bancos centrais

Os dados da inflação dos Estados Unidos, divulgados nesta sexta, também atuam como um termômetro importante. O núcleo do índice de preços de gastos com consumo pessoal (PCE), metricamente acompanhado pelo Fed, avançou 0,4% em janeiro e 3,1% em doze meses, permanecendo bem acima da meta de 2% estabelecida pelo banco central norte-americano.

"Vale lembrar que o relatório ainda não captura os efeitos da recente alta do petróleo, fator que irá pressionar a dinâmica inflacionária nos próximos meses e adicionar mais incerteza sobre o timing do início dos cortes de juros pelo Fed", complementa Shahini.

O Fomc (Federal Open Market Committee) se reunirá na próxima quarta-feira, 18 de março, mesmo dia da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil, configurando uma Superquarta para os mercados.

Ibovespa recua e desempenho setorial na B3

Em contrapartida à alta do dólar, o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, registrou uma baixa de 0,91%, recuando para os 177,6 mil pontos. No cenário doméstico, a agenda econômica contou com a divulgação de indicadores positivos:

  • A produção industrial avançou 1,8% em janeiro, segundo a Pesquisa Industrial Mensal (PIM) Regional.
  • O volume de serviços prestados no país cresceu 0,3% no mesmo mês, com uma alta de 3,3% em relação a janeiro de 2024, atingindo um nível recorde.

Entre as ações de grande peso no índice da B3, os bancos tiveram desempenho negativo:

  1. Bradesco (BBDC4): queda de 2,06%.
  2. Banco do Brasil (BBAS3): recuo de 1,73%.
  3. Santander (SANB11): queda de 1,18%.
  4. Itaú (ITUB4): baixa de 0,68%.

O ambiente de incertezas externas, combinado com a expectativa sobre as decisões dos bancos centrais, segue moldando os movimentos no mercado financeiro brasileiro e internacional.