Choque do petróleo levanta dúvidas sobre inflação futura até 2028
Economistas concordam que o choque do petróleo não terá efeito apenas em 2026, mesmo que a guerra termine nas próximas semanas. A economista Ariane Benedito, do PicPay, destacou em evento do Banco Central a necessidade de olhar para o horizonte mais longo das projeções inflacionárias.
Impactos prolongados nas projeções
Segundo Benedito, sua equipe já observa não apenas os impactos imediatos, mas também os efeitos para 2027 e 2028. A avaliação é de que há uma defasagem relevante na dissipação do choque recente, especialmente após a alta das commodities.
Para a economista, não se trata de um movimento passageiro, mas de uma mudança estrutural que envolve oferta, logística e custos, exigindo mais cautela na leitura das projeções futuras.
Persistência da inflação preocupa especialistas
Essa preocupação com a persistência da inflação também aparece na análise de Sérgio Vale, da MB Associados, que falou ao programa Mercado. Ele observa que choques como os atuais podem se prolongar mesmo que o evento inicial seja temporário, principalmente pela incerteza em torno do comportamento do petróleo.
Sem clareza sobre o retorno dos preços a patamares anteriores, o efeito inflacionário tende a contaminar as expectativas e ampliar o desafio da política econômica.
Lições do passado e incertezas atuais
“Isso aconteceu em outros momentos no passado e que, mesmo que seja curto, a gente tem um pico de preço. Depois o preço normalmente ele começa a voltar para um padrão menor, a gente não sabe exatamente o patamar que esse preço vai voltar e se toda a questão da guerra vai estar definitivamente resolvida ou o conflito em si vai estar resolvido”, afirmou Vale.
O diretor de Política Monetária do Banco Central, Gabriel Galípolo, reforçou que a Selic permanecerá alta pelo tempo necessário para conduzir a inflação ao centro da meta, indicando que o combate à inflação exigirá medidas contínuas diante dos riscos prolongados.
As análises sugerem que a economia brasileira enfrenta um cenário complexo, onde choques externos podem ter reverberações duradouras, demandando ajustes nas estratégias de política monetária e fiscal nos próximos anos.



