Ex-presidente americano realiza investimentos milionários enquanto critica publicamente a empresa
O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, realizou investimentos significativos em títulos da Netflix durante os últimos três meses, totalizando mais de US$ 1,1 milhão (aproximadamente R$ 5,8 milhões). As aquisições ocorreram em um período particularmente conturbado para a gigante do streaming, que estava envolvida em uma acirrada disputa com a Paramount Skydance pela compra da Warner Bros Discovery.
Detalhes das transações financeiras
De acordo com documentos oficiais divulgados pelo governo americano, Trump efetuou quatro transações distintas para adquirir os títulos da Netflix:
- Duas operações em dezembro, totalizando mais de US$ 500 mil (cerca de R$ 2,6 milhões) nos dias 12 e 16
- Outras duas negociações em janeiro, somando US$ 600 mil (aproximadamente R$ 3,2 milhões) nos dias 2 e 20
A Casa Branca, através de sua porta-voz Anna Kelly, optou por divulgar uma faixa de valores estimada para essas transações, que varia entre pouco mais de US$ 1,1 milhão e US$ 2,25 milhões (equivalente a R$ 11,9 milhões).
Críticas públicas e investimentos privados
O aspecto mais controverso dessa situação reside no fato de que, simultaneamente aos investimentos, Trump e seus assessores regulatórios realizavam duras críticas à Netflix na imprensa americana. O ex-presidente republicano questionava abertamente se o acordo de fusão com a Warner Bros resistiria ao escrutínio antitruste e pressionava a empresa para demitir Susan Rice, membro do conselho e ex-assessora do ex-presidente democrata Barack Obama.
"Os bens do presidente Trump estão em um fundo administrado por seus filhos. Não há conflitos de interesse", declarou a porta-voz da Casa Branca em resposta às questões levantadas.
Características dos títulos e contexto corporativo
Os títulos adquiridos por Trump pagam uma taxa de juros de 5,375% ao ano e têm vencimento programado para novembro de 2029. Quando das compras em dezembro, estavam sendo negociados entre US$ 1,03 e US$ 1,04 por valor de face, enquanto nas aquisições de janeiro oscilavam entre US$ 1,04 e US$ 1,03.
O contexto corporativo era extremamente tenso: dias após o anúncio inicial da possível fusão entre Warner Bros e Netflix em 5 de dezembro, Trump começou a questionar publicamente a viabilidade do acordo, alertando que a concentração de poder de mercado "poderia ser um problema". Em 8 de dezembro, a Paramount - dirigida por um aliado de Trump e megadoador republicano - tornou pública sua oferta hostil de aquisição, iniciando uma verdadeira guerra de lances entre as empresas.
Outros investimentos e transparência financeira
Além dos títulos da Netflix, Trump também adquiriu entre US$ 500.002 e US$ 1 milhão em títulos da Warner Bros em duas operações realizadas nos mesmos dias 12 e 16 de dezembro. Na época, esses papéis eram negociados entre 91,75 e 92 centavos de dólar, valendo atualmente aproximadamente 95 centavos - o que representaria um lucro caso o ex-presidente tenha mantido os ativos.
Os relatórios mais recentes do Escritório de Ética Governamental dos EUA, datados de 27 de fevereiro, foram publicados online na semana passada, trazendo transparência sobre essas movimentações financeiras. Trump, cujo patrimônio já foi declarado anteriormente em mais de US$ 1 bilhão, mantém interesses comerciais diversificados que abrangem desde criptomoedas até clubes de golfe e contratos de licenciamento.
A Netflix finalmente desistiu da disputa pela Warner Bros após a Paramount apresentar uma oferta de US$ 110 bilhões (cerca de R$ 528,8 bilhões) há aproximadamente duas semanas. A transação final com a Paramount será financiada por US$ 39 bilhões em novas dívidas fornecidas por instituições financeiras de peso como Bank of America, Citigroup e Apollo.



