Declarações de Trump acalmam mercados após disparada do petróleo
O preço do petróleo registrou uma volatilidade extrema nesta semana, com movimentos bruscos que refletem a tensão geopolítica no Oriente Médio e as declarações do presidente americano Donald Trump sobre o conflito com o Irã.
Disparada inicial e reversão dramática
Na madrugada de segunda-feira (9), os contratos do WTI, referência do petróleo nos Estados Unidos, chegaram a subir impressionantes 30%, atingindo US$ 119,48 por barril. O Brent, referência internacional, também superou a marca de US$ 119, alcançando seu maior nível desde 2022. Esta alta expressiva foi impulsionada pelos temores de investidores de que a guerra no Oriente Médio pudesse se prolongar significativamente.
No entanto, o cenário mudou radicalmente no fim da tarde, quando as cotações começaram a recuar de forma acentuada. Por volta das 18h, o preço já havia caído para aproximadamente US$ 88 por barril, uma queda substancial que se manteve no início da terça-feira.
Declarações presidenciais que acalmaram os mercados
A reversão do movimento ocorreu após Donald Trump conceder uma entrevista por telefone à CBS News, na qual afirmou categoricamente que a guerra contra o Irã está "praticamente concluída" e pode terminar em breve. O presidente republicano justificou sua avaliação ao declarar: "Acho que a guerra está praticamente concluída. Eles não têm Marinha, não têm comunicações, não têm Força Aérea".
Em coletiva de imprensa realizada no Trump National Doral Miami, Trump também indicou que poderá adotar medidas em três frentes principais para conter os preços do petróleo: aliviar sanções sobre o petróleo; assumir o controle do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo global; e utilizar o petróleo venezuelano.
Medidas concretas e preocupações políticas
Segundo o presidente americano, 100 milhões de barris de petróleo da Venezuela já foram levados para refinarias em Houston, no Texas, e outros 100 milhões ainda seguirão para os Estados Unidos. Estas iniciativas refletem a preocupação da Casa Branca de que a alta do petróleo prejudique empresas e consumidores americanos, especialmente com as eleições legislativas de novembro se aproximando.
Uma pesquisa Reuters/Ipsos divulgada nesta segunda-feira reforça os temores do governo Trump: 67% dos americanos acreditam que os preços da gasolina vão subir no próximo ano devido à guerra. Aliados republicanos do presidente esperam manter o controle do Congresso nas próximas eleições.
Diálogo com Putin e sanções russas
Fontes ouvidas pela Reuters afirmam que o republicano considera aliviar sanções ao petróleo russo e liberar estoques emergenciais para conter a alta dos preços globais. O afrouxamento das sanções poderia aumentar a oferta de petróleo e, assim, ajudar a conter a pressão inflacionária, embora a medida ainda não tenha sido detalhada oficialmente.
Nesta mesma segunda-feira, Donald Trump participou de uma ligação com Vladimir Putin que durou cerca de uma hora para discutir as guerras no Irã e na Ucrânia. O Kremlin afirmou que a conversa foi construtiva e franca, com Putin apresentando propostas para encerrar rapidamente o conflito no Irã e Trump reiterando seu interesse em que a guerra na Ucrânia termine em breve.
Ameaças sobre o Estreito de Ormuz
Analistas e representantes da indústria americana afirmam que a Casa Branca tem poucas ferramentas realmente eficazes para reduzir rapidamente os preços do petróleo. "O problema é que as opções variam do marginal ao simbólico ou chegam a ser profundamente imprudentes", disse à Reuters uma das fontes envolvidas nas discussões.
Uma alternativa viável seria restabelecer o fluxo de petroleiros pelo Estreito de Ormuz, passagem marítima entre Irã e Omã por onde circula cerca de um quinto do petróleo mundial. O Irã afirma que a rota está fechada desde a semana passada e ameaça atacar navios que passarem pela região, enquanto os Estados Unidos negam que a via esteja bloqueada.
Na noite desta segunda, Trump fez uma declaração contundente em rede social: "Se o Irã fizer qualquer coisa que interrompa o fluxo de petróleo no Estreito de Ormuz, será atingido pelos Estados Unidos da América VINTE VEZES MAIS FORTE do que foi até agora". O presidente acrescentou: "Além disso, eliminaremos alvos facilmente destruíveis, o que tornará virtualmente impossível que o Irã volte a se reconstruir, como nação, novamente — Morte, Fogo e Fúria cairão sobre eles — Mas espero, e rezo, para que isso não aconteça!".
