Trump assina decreto para aumentar importação de carne argentina com tarifas reduzidas
Trump aumenta importação de carne argentina com tarifas reduzidas

Trump assina decreto para elevar importações de carne argentina com tarifas reduzidas

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta sexta-feira, 6 de maio, um decreto que autoriza o aumento temporário das importações de carne bovina argentina com tarifas reduzidas. A medida tem como objetivo principal baratear o preço da carne para os consumidores americanos, que enfrentam custos elevados de vida, um tema que tem sido alvo de críticas ao governo Trump e que influenciou vitórias eleitorais de candidatos democratas em 2025.

Detalhes do decreto e impacto nos preços

O texto do decreto determina um acréscimo de 80 mil toneladas métricas na cota de importação de aparas magras de carne bovina especificamente da Argentina, a ser implementado em 2026. As aparas magras são retalhos menores de carne com baixo teor de gordura, geralmente resultantes do processo de desossa e corte de peças maiores do boi. Segundo Trump, a decisão foi tomada após conversas com o secretário de Agricultura americano e visa aumentar a oferta de carne moída para os consumidores dos Estados Unidos.

Em um comunicado, Trump afirmou: "Como Presidente dos EUA, tenho a responsabilidade de garantir que trabalhadores americanos consigam alimentar a si e suas famílias". No entanto, economistas ouvidos pela agência Reuters alertam que o aumento das importações argentinas pode não ser suficiente para reduzir significativamente os custos aos americanos, beneficiando mais as empresas de alimentos do que os consumidores finais.

Reações do setor pecuário e contexto econômico

Os preços da carne bovina nos Estados Unidos atingiram níveis recordes no ano passado, impulsionados por uma forte demanda e uma queda na oferta de gado. Esse cenário beneficiou os pecuaristas, muitos dos quais apoiaram Trump, mas aumentou a pressão sobre os consumidores. Representantes do setor pecuário criticaram a medida, argumentando que ela prejudica os produtores americanos.

A senadora republicana Deb Fischer, de Nebraska, um importante estado produtor de gado, declarou: "Em vez de importações que prejudicam pecuaristas americanos, deveríamos focar em soluções que reduzam a burocracia, diminuam custos de produção e apoiem a expansão do nosso rebanho". Em 2024, os Estados Unidos importaram cerca de 33 mil toneladas métricas de carne bovina argentina, o que representou apenas 2% das importações totais, segundo dados governamentais.

Acordo comercial ampliado entre EUA e Argentina

O decreto sobre a carne ocorre no contexto de um acordo comercial mais amplo assinado entre os Estados Unidos e a Argentina na quinta-feira, 5 de maio. O acordo prevê a redução de tarifas e um plano recíproco de investimentos, abrangendo também materiais críticos, como parte da estratégia de Trump para diminuir a dependência da China nesses insumos essenciais para tecnologia, energia e defesa.

Segundo o texto do acordo, haverá cooperação e investimentos dos EUA em toda a cadeia do setor na Argentina, desde a exploração até o refino, processamento e exportação. O embaixador norte-americano e negociador comercial Jamieson Greer destacou que o acordo "reduz barreiras comerciais de longa data e oferece acesso significativo ao mercado para exportadores" dos Estados Unidos, com expectativas de expandir negócios em setores como veículos automotores e produtos agrícolas.

O governo argentino, liderado pelo presidente Javier Milei, comemorou o acordo, descrevendo-o como um pilar para a reinserção da Argentina no mundo ocidental. O acordo entrará em vigor 60 dias após a conclusão dos trâmites legais internos, prevendo a eliminação ou redução de tarifas para milhares de produtos, incluindo cotas isentas para itens estratégicos como carne bovina e veículos.

Investimentos adicionais e envolvimento do Brasil

Além dos minerais críticos, o Acordo entre os Estados Unidos e a República Argentina sobre Comércio Recíproco e Investimento (ARTI) facilita investimentos americanos em outros setores estratégicos da economia argentina, como energia, infraestrutura, tecnologia, bens de capital, defesa e financiamento. Isso inclui apoio de agências dos EUA, como EXIM Bank e DFC, em parceria com o setor privado.

Paralelamente, a Reuters revelou que o Brasil participou de uma reunião nos Estados Unidos na quarta-feira, 4 de maio, onde o vice-presidente norte-americano, J.D. Vance, apresentou planos para formar um bloco comercial de minerais críticos com aliados. O governo brasileiro ainda está avaliando se irá integrar o grupo, com o Itamaraty confirmando a presença na reunião, mas sem detalhes sobre uma possível adesão. Uma fonte do governo brasileiro afirmou que o país está aberto a parcerias que tragam valor agregado, mas que a decisão requer análise bilateral e não será tomada rapidamente.