PIB dos EUA cresce 0,5% no 4º trimestre de 2025, sinalizando desaceleração econômica
PIB dos EUA cresce 0,5% e aponta desaceleração da economia

PIB dos Estados Unidos cresce 0,5% no quarto trimestre de 2025, abaixo das expectativas do mercado

O U.S. Bureau of Economic Analysis divulgou nesta quinta-feira, 9 de abril de 2026, que o Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos registrou um crescimento de 0,5% no quarto trimestre de 2025. Este resultado ficou abaixo da expectativa inicial do mercado, que era de 0,7%, e representa uma desaceleração significativa em comparação com a expansão de 4,4% observada no trimestre anterior.

Revisão para baixo reflete impacto de fatores pontuais e política monetária restritiva

A revisão para baixo do dado do PIB reflete, principalmente, um desempenho mais fraco dos investimentos, indicando que os efeitos da política monetária restritiva começam a se intensificar sobre a atividade econômica. Mesmo com alguma sustentação do consumo, o ritmo mais lento já aponta para uma economia em transição, perdendo tração e entrando em uma fase mais madura do ciclo econômico.

Na leitura setorial, o crescimento foi puxado pelos serviços, que apresentaram alta de 2,3%. No entanto, o setor público registrou uma queda expressiva de 7,8%, enquanto a indústria de bens recuou 1,8%. Também houve impacto negativo de exportações mais fracas, embora a retração das importações tenha compensado parcialmente esse movimento no cálculo final do PIB.

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Analistas destacam influência do shutdown do governo e perspectivas para 2026

Para Kevin Oliveira, sócio e advisor da Blue3, o dado confirma uma mudança relevante no ciclo econômico. “Os dados mais recentes do PIB dos Estados Unidos para o quarto trimestre reforçam um cenário claro de desaceleração econômica. As leituras do período foram sendo revisadas para baixo, chegando agora a 0,5%, abaixo da expectativa”, afirma. Ele avalia que isso tende a reforçar a expectativa de um crescimento mais moderado à frente, além de manter o mercado atento a possíveis ajustes na condução da política monetária.

Claudia Moreno, economista do C6 Bank, relativiza o dado, destacando que se trata de uma terceira revisão e com impacto de fatores específicos. “O mercado já tinha uma ideia de como viria esse número. Ainda assim, ele veio um pouco mais fraco do que o esperado”, afirma. Ela explica que parte relevante da fraqueza do PIB está associada à paralisação parcial do governo americano no período, conhecida como shutdown. “O consumo do governo teve contribuição negativa importante. Se isso não tivesse ocorrido, o PIB poderia ter sido mais próximo de 1,5%”.

Segundo André Valério, economista sênior do Inter, o shutdown do governo entre outubro e novembro retirou quase 1 ponto percentual da taxa anualizada de crescimento, criando um viés de baixa no resultado. O cenário, no entanto, já começa a mudar com a escalada das tensões no Oriente Médio e a alta do petróleo, que estão levando a revisões nas projeções para 2026. “Antes do conflito, a expectativa era de um crescimento próximo de 3% no primeiro trimestre, mas esse número já desacelerou de forma relevante”, diz Valério sobre o PIB dos EUA.

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