MP de Roraima denuncia trio por desvio milionário do Banco do Brasil em Caracaraí
O Ministério Público de Roraima (MPRR) apresentou denúncia à Justiça contra três pessoas acusadas de desviar mais de R$ 5,2 milhões de uma agência do Banco do Brasil em Caracaraí, no sul do estado. Os crimes de peculato-furto, lavagem de dinheiro e associação criminosa teriam ocorrido entre os anos de 2020 e 2022, segundo as investigações.
Envolvidos e detalhes da denúncia
Foram formalmente denunciados:
- Daura Souza Rodrigues: ex-tesoureira da agência, apontada como executora direta das fraudes.
- Paulo José Assis de Souza: marido de Daura, considerado o mentor intelectual do esquema.
- Kellyane Saraiva Gomes Silva: mulher identificada como "laranja" para receber valores desviados.
O valor total desviado foi de R$ 5.216.956,82. O Banco do Brasil informou que as investigações começaram após a identificação de irregularidades em apuração interna, que foram comunicadas às autoridades policiais. A instituição afirmou estar colaborando com as demandas das autoridades.
Como funcionava o esquema fraudulento
Segundo a denúncia do Ministério Público, Daura Souza Rodrigues se aproveitava de seu cargo de confiança e utilizava as próprias senhas e as do gerente-geral da agência para inserir informações falsas no sistema bancário. O esquema envolvia:
- Depósitos fantasmas: simulação de entrada de dinheiro físico que nunca existiu.
- Pagamento de boletos: pessoais e comerciais da quadrilha com os recursos desviados.
- Crédito direto: o dinheiro retirado dos caixas era creditado nas contas do marido, Paulo, e da suposta laranja, Kellyane.
A fraude só foi descoberta no final de junho de 2022, durante uma auditoria surpresa na agência. Na ocasião, Daura tentou impedir a descoberta do rombo ao sabotar os cabos de rede do compartimento técnico, deixando o sistema fora do ar. Câmeras de segurança flagraram a ex-tesoureira aproveitando a confusão para retirar volumes do cofre e escondê-los na própria bolsa antes de sair da agência.
Lavagem de dinheiro e patrimônio de luxo
Para ocultar a origem ilícita dos mais de R$ 5,2 milhões, o grupo utilizou contas de passagem e empresas de fachada. A principal delas, D'Goold Empreendimentos Ltda, pertencia a Paulo e funcionava dentro da própria fazenda do casal.
O dinheiro furtado foi convertido em um patrimônio considerado "de luxo" pelo MP, incompatível com a renda declarada pelos denunciados. Os valores financiaram:
- Atividades agropecuárias.
- Compra de sete terrenos urbanos em Caracaraí.
- Aeronaves de pequeno porte.
- Gado.
- Carros de luxo.
Pedidos do Ministério Público
Junto com a denúncia, o Ministério Público solicitou à Justiça o sequestro de bens, imóveis e valores das contas bancárias dos três envolvidos até o limite de R$ 19.022.048,61. Este valor inclui:
- Restituição do montante desviado, atualizado com juros e correção monetária desde 2022, que chega a aproximadamente R$ 9 milhões.
- Indenização de R$ 10 milhões por danos morais coletivos, devido ao abalo causado à credibilidade do sistema financeiro.
O caso segue sob análise da Justiça, enquanto as investigações continuam para apurar todos os detalhes do esquema criminoso.



