Os preços futuros do petróleo Brent, negociados na Bolsa de Londres, registraram uma alta expressiva de 6,5% durante o pregão desta quinta-feira, 19 de março de 2026. Esse movimento significativo ocorre em meio a uma onda de ataques militares realizados pelo Irã contra refinarias e complexos energéticos localizados em quatro países estratégicos do Oriente Médio.
Contexto do conflito e retaliação iraniana
A ação bélica iraniana é entendida como uma resposta direta aos recentes ataques israelenses que atingiram o campo de gás de Pars, no território do Irã, além do assassinato do ministro da Inteligência iraniano, Esmaeil Khatib, em um episódio reivindicado por Israel. Por volta das 8 horas da manhã, o barril de petróleo Brent era cotado a 114,32 dólares, refletindo uma valorização de 6,46%.
Ataques coordenados afetam infraestrutura crítica
Na noite de quarta-feira, 18 de março, o Irã lançou uma série ofensiva contra instalações energéticas em nações do Golfo. No Kuwait, duas refinarias operadas pela estatal de petróleo do país registraram incêndios significativos após serem alvo de drones. Na Arábia Saudita, um drone caiu na refinaria Samref, situada na zona industrial do porto de Yanbu, no Mar Vermelho, enquanto o governo saudita informou ter interceptado um míssil balístico direcionado ao mesmo porto.
O ministro das Relações Exteriores da Arábia Saudita, príncipe Faisal bin Farhan, declarou que o país não descarta uma resposta militar aos repetidos ataques iranianos, afirmando: “Reservamo-nos o direito de empreender ações militares, se considerarmos necessário.”
Impactos no Catar e nos Emirados Árabes Unidos
No Catar, equipes da defesa civil conseguiram controlar incêndios provocados por um ataque iraniano em Ras Laffan, considerado o maior complexo industrial e porto de exportação de gás natural liquefeito (GNL) do mundo. O Ministério do Interior do Catar confirmou que não houve registro de feridos. Já em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, um centro de processamento de gás natural foi temporariamente fechado após a queda de destroços de mísseis que haviam sido interceptados, com as autoridades responsabilizando o Irã pelos ataques.
Risco geopolítico e efeitos globais
Soma-se a essa tensão imediata o risco potencial de bloqueio do Estreito de Ormuz, principal rota do comércio marítimo de petróleo, por onde passa aproximadamente um quinto do petróleo comercializado globalmente em condições normais. O presidente dos Estados Unidos voltou a criticar a recusa de aliados em contribuir para a segurança nessa via estratégica.
A crise energética já começa a apresentar efeitos palpáveis em escala global. A companhia aérea SAS anunciou o cancelamento de pelo menos mil voos programados para abril, poucos dias após realizar reajustes tarifários. Paralelamente, a Itália aprovou um decreto emergencial com o objetivo de conter os preços dos combustíveis, refletindo a pressão inflacionária.
Expansão do conflito e apelos internacionais
No Líbano, considerado o segundo principal front deste conflito ampliado, Israel mantém sua ofensiva militar contra o grupo xiita Hezbollah. O centro da capital Beirute foi atingido por ataques que resultaram em 12 mortos, incluindo um dirigente de um canal de televisão ligado ao Hezbollah. Diante de uma situação humanitária já classificada como “catastrófica”, com mais de um milhão de deslocados, a União Europeia instou Israel a interromper suas operações no país.
Este cenário de instabilidade geopolítica e ataques diretos à infraestrutura energética continua a exercer uma pressão ascendente sobre os preços do petróleo, com repercussões econômicas e logísticas que se estendem para além das fronteiras do Oriente Médio.



