Em uma cerimônia realizada na sede do Banco Central do Paraguai, em Assunção, foi formalizada neste sábado a assinatura do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia. O evento marcou o fim de um processo de negociação que se estendeu por mais de duas décadas e meia.
Cerimônia histórica com ausência notável
Um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) pousou em Assunção ainda pela manhã, transportando o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, o presidente do Conselho Europeu, António Costa, e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. Os três seguiram direto para o local da cerimônia.
O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, foi o único chefe de Estado ausente no evento. Conforme informado previamente pelo Itamaraty, o documento seria assinado apenas pelos chanceleres. Lula, convidado em última hora, optou por permanecer no Brasil.
Discursos destacam multilateralismo e oportunidade
O presidente do Paraguai, Santiago Peña, fez o primeiro discurso, classificando a assinatura como "um fato histórico" e uma demonstração de que o diálogo e a cooperação formam o único caminho viável.
Os representantes europeus enfatizaram a longa jornada de 26 anos de negociações. Ursula von der Leyen afirmou que o acordo envia uma mensagem forte ao mundo sobre a escolha pelo comércio justo em vez de tarifas. António Costa avaliou que o pacto chega no momento mais oportuno, sendo uma aposta na abertura e na cooperação, em oposição ao isolamento e ao uso do comércio como arma geopolítica – uma clara referência indireta às políticas protecionistas de outros blocos.
O chanceler brasileiro, Mauro Vieira, reforçou que a parceria valoriza o multilateralismo. "Acreditamos na cooperação, no diálogo, em soluções construídas de forma coletiva", declarou. Ele também destacou que o acordo reflete valores comuns, como democracia, Estado de Direito, respeito aos direitos humanos e proteção ambiental.
Próximos passos para a implementação
Após os pronunciamentos, o comissário de Comércio da UE e os ministros das Relações Exteriores dos países do Mercosul assinaram o documento histórico, finalizando o ato com uma foto oficial de mãos dadas.
No entanto, a assinatura não representa o último passo. Para que as novas regras e a redução ou isenção de tarifas comecem a valer, é necessário que o Parlamento Europeu e o Congresso Nacional brasileiro aprovem o tratado. No âmbito do Mercosul, as isenções passarão a valer para cada país individualmente, conforme seus parlamentos nacionais forem ratificando o acordo.
Ao final do encontro, o presidente paraguaio Santiago Peña deu uma entrevista coletiva na qual lamentou a ausência de Lula, mas reconheceu que a dedicação do presidente brasileiro foi fundamental para a conclusão das tratativas.
O tratado estabelece a maior área de livre-comércio do mundo, abrangendo um mercado de 718 milhões de pessoas e um fluxo comercial estimado em 22 trilhões de dólares.