Mercosul e UE assinam acordo histórico após 26 anos de negociações
Mercosul e UE assinam acordo de livre comércio histórico

Em um marco histórico para as relações entre os dois blocos, líderes do Mercosul e da União Europeia assinaram, neste sábado, 17 de janeiro de 2026, em Assunção, Paraguai, um ambicioso acordo de livre comércio. A cerimônia encerrou um processo de negociação que se estendeu por mais de um quarto de século, iniciado em 1999.

Uma mensagem clara ao mundo em defesa do multilateralismo

O evento foi palco de fortes defesas ao comércio internacional baseado em regras e ao multilateralismo. O presidente do Conselho Europeu, António Costa, afirmou que o tratado reafirma a crença dos Estados-membros no comércio justo. "Com este acordo enviamos uma mensagem clara ao mundo", declarou Costa, ponderando que o pacto é uma aposta na abertura e na cooperação, em oposição a tendências de isolamento e ao uso do comércio como arma geopolítica.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, reforçou que o ato tem o potencial de conectar continentes e criar a maior área de livre comércio do planeta, abrangendo um mercado de aproximadamente 700 milhões de pessoas. "Escolhemos o comércio justo em vez de tarifas. Escolhemos parcerias de longo prazo em vez de isolamento", destacou.

Repercussão entre os líderes sul-americanos

Anfitrião do evento, o presidente do Paraguai, Santiago Peña, classificou o dia como "verdadeiramente histórico" e destacou o pragmatismo diplomático necessário para superar 26 anos de impasses. Ele também enalteceu o empenho do presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, que não pôde comparecer por questões de agenda, e de Ursula von der Leyen. "Sem o presidente Lula, talvez não tivéssemos chegado a este dia", afirmou Peña.

O presidente da Argentina, Javier Milei, viu no acordo um ponto de partida para novas oportunidades, fundamentadas no livre comércio. No entanto, alertou que a incorporação de mecanismos restritivos, como cotas ou salvaguardas durante a fase de implementação, poderia reduzir significativamente o impacto econômico do pacto.

Representando o Uruguai, Yamandú Orsi definiu o acordo como uma associação estratégica capaz de melhorar a vida da população. Para ele, em um mundo marcado por tensões, o tratado representa uma decisão clara de apostar nas regras. O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, repetiu declaração do presidente Lula, para quem o acordo é uma prova da força do mundo democrático e uma demonstração de compromisso com o multilateralismo.

Próximos passos e implementação

Com a assinatura concluída, o texto do acordo agora segue para a fase de ratificação. Ele será submetido ao Parlamento Europeu e aos congressos nacionais de cada país integrante do Mercosul. A entrada em vigor da parte comercial depende integralmente dessa aprovação legislativa, com previsão de que a implementação ocorra de forma gradual ao longo dos próximos anos.

O consenso entre as lideranças presentes foi de que o acordo vai além de uma simples relação comercial. Ele é visto como um instrumento geopolítico vital para promover estabilidade, gerar empregos e investimentos, fomentar inovação e enfrentar desafios comuns, como crimes transnacionais, sempre com base no respeito à soberania e na cooperação entre as democracias envolvidas.