Guerra com Irã causa maior choque de oferta de petróleo da história, alerta agência
Maior choque de oferta de petróleo da história por guerra com Irã

Guerra com Irã provoca maior choque de oferta de petróleo da história, diz agência

O conflito envolvendo o Irã já está gerando um impacto histórico no mercado global de energia. Segundo um relatório divulgado pela Agência Internacional de Energia (IEA), a guerra no Oriente Médio causou a maior interrupção de oferta de petróleo já registrada, com uma queda abrupta na produção dos países do Golfo Pérsico.

Queda drástica na produção global

De acordo com o documento, os produtores da região reduziram a produção em pelo menos 10 milhões de barris por dia após o Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte de petróleo, tornar-se praticamente intransitável para navios petroleiros. O resultado é uma queda estimada de cerca de 8 milhões de barris por dia na oferta mundial em março.

Em termos relativos, isso representa uma retração superior a 7% em relação à produção de fevereiro, quando o planeta produzia aproximadamente 107 milhões de barris diários. No relatório, a agência afirma que o conflito "está criando a maior interrupção de oferta da história do mercado global de petróleo".

Estreito de Ormuz no centro da crise

O epicentro da turbulência energética é o Estreito de Ormuz, corredor marítimo entre o Golfo Pérsico e o oceano Índico por onde passa aproximadamente um quinto de todo o petróleo consumido no mundo. Com o avanço do conflito entre Irã, Israel e os Estados Unidos, o risco para navios na região disparou.

Seguradoras elevaram drasticamente os custos de cobertura e parte da navegação foi suspensa, levando países produtores a reduzir ou redirecionar suas exportações. Entre os mais afetados estão grandes exportadores do Golfo, como:

  • Arábia Saudita
  • Emirados Árabes Unidos
  • Kuwait
  • Catar
  • Iraque

Esses países são responsáveis por uma parcela relevante da oferta global de petróleo.

Estratégias emergenciais para contornar o bloqueio

Para contornar o bloqueio parcial do estreito, alguns países começaram a buscar rotas alternativas. A Arábia Saudita, por exemplo, intensificou o envio de petróleo por portos localizados na costa do mar Vermelho, fora do Golfo Pérsico.

Segundo a agência, as exportações sauditas por essa rota atingiram um recorde de 5,9 milhões de barris por dia em 9 de março. No ano passado, esse fluxo era de apenas 1,7 milhão de barris diários.

Nos Emirados Árabes Unidos, a estatal Abu Dhabi National Oil Company (Adnoc) ampliou embarques pelo porto de Fujairah, conectado por oleodutos às áreas de produção do país. Entre os dias 4 e 9 de março, o terminal escoou em média 2,4 milhões de barris por dia.

Essas rotas alternativas ajudam a aliviar parte da pressão sobre o mercado, mas não são suficientes para compensar totalmente a interrupção nas exportações do Golfo.

Outros países tentam compensar a queda

A agência avalia que parte da redução poderá ser compensada por aumento de produção em países fora da região. Entre os candidatos a elevar a oferta estão:

  1. Rússia
  2. Cazaquistão
  3. Produtores que não fazem parte da aliança OPEP+

Mesmo assim, a recuperação deve ser limitada no curto prazo. A própria previsão da Agência Internacional de Energia para o crescimento da oferta global em 2026 foi revisada para baixo. Agora, a instituição estima aumento médio de apenas 1,1 milhão de barris por dia ao longo do ano. Um mês atrás, a projeção era mais que o dobro: 2,4 milhões de barris adicionais.

Risco de nova onda inflacionária global

O choque no petróleo ocorre em um momento delicado para a economia mundial. O barril já disparou nos mercados internacionais e analistas alertam para o risco de um novo ciclo inflacionário global. Isso acontece porque o petróleo influencia praticamente todos os setores da economia, do transporte ao preço dos alimentos.

Combustíveis mais caros elevam o custo logístico e pressionam cadeias produtivas inteiras. Se o conflito se prolongar, dizem especialistas, o impacto pode se tornar comparável a alguns dos maiores choques energéticos da história recente, como a crise do petróleo dos anos 1970.

Por enquanto, o tamanho final do impacto dependerá de um fator central: a duração da guerra e a capacidade de manter abertas as rotas de exportação de petróleo do Golfo Pérsico.