Japão e Alemanha tomam iniciativa para conter alta do petróleo
Nesta quarta-feira (11), Japão e Alemanha anunciaram que vão liberar parte de suas reservas estratégicas de petróleo, em uma ação destinada a conter a alta dos preços da gasolina e de outros combustíveis. A medida surge em resposta aos efeitos da guerra no Oriente Médio, que tem causado turbulências significativas no mercado global de energia.
Conflito no Estreito de Ormuz pressiona preços
Os preços do petróleo voltaram a subir nesta quarta-feira devido a um bloqueio no Estreito de Ormuz, uma rota de trânsito crucial por onde passa aproximadamente 20% do petróleo e do gás natural liquefeito consumidos em todo o mundo. Vários navios foram atacados na região, exacerbando as preocupações com a oferta.
Na manhã desta quarta-feira, o barril de West Texas Intermediate (WTI) era negociado a quase 88 dólares, registrando uma alta de cerca de 6%. Enquanto isso, o Brent do Mar do Norte tinha cotação de pouco mais de 92 dólares, com aumento de 5%.
Iniciativa coordenada entre potências econômicas
Sem esperar por uma decisão oficial da Agência Internacional de Energia (AIE) sobre uma liberação coordenada das reservas internacionais, o Japão decidiu tomar a iniciativa. A primeira-ministra Sanae Takaichi declarou à imprensa que o país vai aliviar a oferta e a demanda no mercado internacional de energia, liberando suas reservas estratégicas a partir de 16 de março.
Uma fonte do governo da Alemanha indicou à AFP que Berlim adotará uma medida similar, embora não tenha revelado mais detalhes. O ministro francês da Economia, Roland Lescure, destacou que as decisões são parte, "sem nenhuma dúvida, de uma reflexão extremamente coordenada".
Impacto na Petrobras e no cenário global
Enquanto isso, a alta do petróleo turbina a caixa da Petrobras, mas também pressiona a política de preços da empresa e contribui para a inflação no Brasil. A situação ilustra os desafios enfrentados por nações dependentes de importações de combustíveis.
Alemanha e Japão, como membros do G7, devem abordar a questão das reservas de energia em uma videoconferência prevista para esta quarta-feira. Segundo o Wall Street Journal, a AIE propôs a maior liberação de reservas de petróleo de sua história para conter a escalada dos preços.
A injeção de petróleo bruto superaria os 182 milhões de barris que os países membros da organização disponibilizaram ao mercado em 2022, após a invasão russa da Ucrânia. A proposta foi apresentada em uma reunião de emergência na terça-feira entre funcionários de alto escalão do setor de energia dos 32 países membros da AIE, com uma decisão final esperada para ser anunciada ainda nesta quarta-feira.



