Negociações suspeitas antecedem anúncio de Trump e geram lucros milionários
Operadores do mercado financeiro realizaram transações milionárias envolvendo contratos de petróleo poucos minutos antes de o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar na segunda-feira que o país adiaria possíveis ataques à infraestrutura energética do Irã. Dados analisados pela BBC revelam um volume incomum de negociações aproximadamente quinze minutos antes da publicação de Trump na rede Truth Social.
Queda abrupta nos preços e ganhos expressivos
Imediatamente após a divulgação da mensagem de Trump, o preço do petróleo despencou cerca de 14% em questão de minutos. Investidores que apostaram na mudança brusca de preço naquele momento específico conseguiram obter ganhos milionários. Especialistas do mercado afirmam que a atividade atípica observada abre espaço para suspeitas de que alguns participantes possuíam conhecimento antecipado sobre o anúncio.
Um porta-voz da Casa Branca declarou ao Financial Times que "não tolera qualquer autoridade do governo lucrando de forma ilegal com informação privilegiada". Os mercados financeiros internacionais têm enfrentado fortes oscilações devido ao conflito no Oriente Médio, com preços subindo drasticamente conforme os custos de produção e transporte aumentam.
Padrão de negociações antes do anúncio
Analistas têm investigado minuciosamente os eventos que ocorreram nos mercados nos minutos que precederam a postagem do ex-presidente. Às 7h49, quinze minutos antes da publicação, investidores realizaram 733 apostas em contratos de petróleo WTI na bolsa New York Mercantile Exchange. Um minuto depois, esse número saltou para 2.007 transações, representando valores equivalentes a US$ 170 milhões.
O mesmo padrão foi identificado em investidores que adquiriram contratos de Brent, o preço de referência global do petróleo. Em poucos minutos, o número de contratos aumentou de 20 para 1.600, totalizando aproximadamente US$ 150 milhões. Dados históricos de outras segundas-feiras indicam que é extremamente incomum observar um volume tão elevado de negociações nesse horário específico.
Questionamentos sobre possível informação privilegiada
"Isso parece incomum, com certeza", afirmou Mukesh Sahdev, principal analista de petróleo da XAnalysts. "Naquele momento, não havia sinais de que nenhuma conversa séria estaria acontecendo entre EUA e Irã. Então apostar tanto dinheiro que o petróleo cairia é algo que desperta perguntas."
Rachel Winter, sócia da empresa de gestão de patrimônio Killik & Co., destacou: "Um pouco antes da postagem nas redes sociais, muitas pessoas compraram contratos que permitiriam lucrar com a queda do preço do petróleo. Então está havendo alguma especulação sobre informação privilegiada. Não sabemos se isso é verdade, mas esperamos que haja alguma investigação sobre isso."
Contexto geopolítico e reações posteriores
No sábado anterior, Trump havia ameaçado "aniquilar" as usinas de energia do Irã se o país não abrisse o Estreito de Ormuz dentro de 48 horas. Essa via marítima é crucial para o transporte de aproximadamente 20% do petróleo e gás natural mundial. Os mercados asiáticos registraram forte queda na segunda-feira pela manhã, refletindo a notícia, e os preços do petróleo começaram a subir.
Contudo, às 8h04, antes da abertura dos mercados americanos, Trump publicou na Truth Social que Washington havia mantido "conversas muito boas e produtivas" com Teerã sobre uma "resolução completa e total" das hostilidades. Imediatamente, as bolsas de valores iniciaram uma recuperação e o preço do petróleo começou a cair, atingindo US$ 84 por barril.
No final da segunda-feira, o governo do Irã negou qualquer tipo de negociação, classificando as informações como "fake news". Em uma publicação no X, o presidente do parlamento iraniano, Mohammad-Bagher Ghalibaf, afirmou que se tratava de "fake news usada para manipular mercados financeiros e de petróleo".
Investigções em andamento e precedentes recentes
A BBC entrou em contato com a Commodity Futures Trading Commission, regulador financeiro dos Estados Unidos, e também com a Financial Conduct Authority do Reino Unido, aguardando respostas sobre possíveis investigações. Este não é o primeiro episódio deste ano em que a política externa americana esteve associada a apostas financeiras.
Em janeiro, houve um aumento significativo de apostas na plataforma Polymarket, onde várias pessoas previram que o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, seria derrubado antes do final do mês. Horas depois, Maduro foi preso por forças americanas, e um apostador obteve um lucro de US$ 436 mil a partir de uma aposta inicial de US$ 32 mil.



