França conclui venda de reservas de ouro em Nova York e repatria metal para Paris
O Banco Central da França confirmou oficialmente a venda de todas as suas reservas de ouro que estavam armazenadas no Federal Reserve, em Nova York, e a subsequente recompra de uma quantidade equivalente do metal precioso na Europa, que agora está guardada em Paris. A informação, que circulava amplamente nas redes sociais, foi verificada e confirmada como verdadeira pelo projeto de checagem Fato ou Fake.
Detalhes da operação financeira
Em resposta a um questionamento por e-mail, a instituição monetária francesa detalhou que, entre julho de 2025 e janeiro de 2026, executou a venda de 129 toneladas de ouro, correspondente ao total do metal que mantinha em custódia na cidade norte-americana. A operação foi realizada através de 26 vendas pontuais, que resultaram em um ganho de capital excepcional de US$ 12,8 bilhões.
Com o valor arrecadado, o Banco Central francês adquiriu novas barras de ouro, que atualmente estão sendo mantidas em suas instalações na capital francesa. A instituição enfatizou que essas transações não têm motivações geopolíticas, mas sim técnicas e de modernização.
Justificativa técnica e contexto histórico
Segundo o comunicado oficial, o movimento de recompra faz parte de uma política conduzida desde 2005 e atende a recomendações de um relatório de controle interno de 2024. O documento exigia a modernização e padronização do ouro francês de acordo com os padrões internacionais vigentes.
O Banco Central explicou ainda que as barras armazenadas em Nova York datavam do final da década de 1920 e não atendiam mais aos requisitos contemporâneos de pureza e peso necessários para o comércio internacional do metal. A instituição informou que ainda resta um estoque residual de 5% do total da reserva, localizado em Paris, que precisa passar pelo processo de padronização até 2028.
Análise de especialista e cenário global
Ramiro Ferreira, especialista em investimentos e cofundador do Clube do Valor, analisou a situação para o Fato ou Fake. Ele reconhece que, tecnicamente, a França não está mentindo sobre as razões operacionais, mas destaca o timing significativo da repatriação.
Ferreira observa que a operação ocorreu simultaneamente a um número recorde de pedidos de bancos centrais estrangeiros para retirar e repatriar fisicamente suas reservas de ouro do Federal Reserve de Nova York. Este período coincidiu com a deterioração das relações comerciais e políticas entre o governo Trump e a Europa, marcado por tarifas, guerras comerciais e um cenário global de imprevisibilidade.
Tendências no mercado de ouro e reservas internacionais
O metal precioso é tradicionalmente considerado um investimento seguro por investidores e tende a se valorizar em momentos de crise econômica ou geopolítica. Atualmente, fatores como a elevação da dívida soberana dos Estados Unidos, preocupações sobre a independência do Fed e tensões em diversas regiões do mundo têm reduzido a confiança no dólar e aumentado a demanda por ouro.
Em setembro de 2025, uma reportagem da agência Reuters revelou que, pela primeira vez desde 1996, os bancos centrais ao redor do globo passaram a deter mais ouro em suas reservas do que títulos da dívida pública americana. Um estudo do Banco Central Europeu (BCE) indicou que o estoque do metal pelas entidades monetárias alcançou a marca de 36 mil toneladas.
Mais recentemente, nesta quarta-feira (8), a própria Reuters informou, com base em uma pesquisa com gestores de quase 100 bancos centrais, que 40% dos entrevistados avaliavam aumentar ainda mais sua exposição ao ouro em suas reservas internacionais.
Cotização histórica e atual do metal
O ouro atingiu seu pico histórico de valorização em janeiro deste ano, quando a cotação chegou a US$ 5.595 por onça (equivalente a 31,1035 gramas). Nesta quinta-feira (9), o preço do metal foi negociado a US$ 4,7 mil por onça, representando uma queda de 16% em relação ao valor máximo registrado no início do ano.
A decisão francesa de vender e recomprar suas reservas de ouro reflete uma tendência global de realocação de ativos seguros e destaca a importância contínua do metal precioso no sistema financeiro internacional, mesmo em um cenário de flutuações de preço e mudanças nas políticas monetárias globais.



