FMI analisa impacto da guerra no Oriente Médio na economia global
O impacto do conflito no Oriente Médio sobre a economia mundial está diretamente ligado à duração da guerra e à extensão dos danos causados à infraestrutura e às indústrias da região. A avaliação é do vice-diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dan Katz, que destacou a importância de observar se a alta nos preços da energia será passageira ou mais prolongada.
Incerteza prolongada exige cautela dos bancos centrais
Segundo Katz, caso a incerteza persista e os preços da energia permaneçam elevados por um período mais longo, os bancos centrais devem agir com extrema cautela. É fundamental que essas instituições avaliem cuidadosamente todos os desdobramentos antes de tomar qualquer decisão monetária significativa.
O representante do FMI afirmou que o conflito tem potencial para afetar diversos indicadores econômicos, incluindo:
- Taxas de inflação em múltiplas economias
- Ritmo de crescimento econômico global
- Estabilidade dos mercados financeiros internacionais
"Ainda é cedo para medir com precisão o tamanho total desse impacto", ressaltou Katz, indicando que a instituição mantém uma postura de vigilância constante.
Projeções anteriores e novos monitoramentos
Antes da recente escalada de tensões no Oriente Médio, o FMI projetava um crescimento global de 3,3% para 2026. Essa estimativa otimista era sustentada por fatores como:
- Investimentos crescentes em inteligência artificial
- Expectativas de ganhos significativos de produtividade
- Recuperação econômica pós-pandemia
Atualmente, o Fundo Monetário Internacional monitora ativamente possíveis efeitos adversos em várias áreas:
- Comércio internacional e fluxos comerciais
- Atividade econômica geral
- Preços da energia em mercados globais
- Volatilidade nos mercados financeiros
Impactos diretos na região e respostas monetárias
O FMI também avalia os impactos mais diretos do conflito na própria região do Oriente Médio, incluindo:
- Danos extensivos à infraestrutura crítica
- Interrupções em setores econômicos vitais como turismo
- Paralisia parcial do transporte aéreo regional
- Principalmente, disrupções no setor de energia
Katz explicou que, se a alta dos preços da energia for temporária, os bancos centrais tendem a não reagir imediatamente. Isso ocorre porque essas instituições geralmente dão mais peso à inflação que exclui itens mais voláteis, como energia e alimentos.
No entanto, se o choque energético se mostrar duradouro e começar a afetar as expectativas de inflação de médio prazo, pode haver uma resposta mais firme na política de juros, alertou o vice-diretor do FMI.
Lições da pandemia e paralelos com conflito anterior
O executivo lembrou que, após a pandemia de COVID-19, o avanço da inflação em 2022 foi significativamente influenciado pelo aumento dos preços da energia ligado à guerra na Ucrânia. Esse fenômeno acabou pressionando outros preços em toda a economia global, criando um ciclo inflacionário difícil de controlar.
Nesta terça-feira, o petróleo voltou a registrar altas significativas após o Irã ameaçar atacar navios no estratégico Estreito de Ormuz. O barril do Brent chegou a US$ 83, representando um aumento de aproximadamente 15% em relação ao nível observado na sexta-feira anterior.
O FMI continua acompanhando de perto a evolução do conflito e seus múltiplos efeitos sobre a economia mundial, mantendo canais abertos com autoridades econômicas de diversos países para coordenar respostas adequadas às novas realidades que surgirem.



