China importa 38% do petróleo do Estreito de Ormuz, rota vital ameaçada por bloqueio iraniano
China importa 38% do petróleo de Ormuz, rota ameaçada

China lidera importações de petróleo pelo Estreito de Ormuz, rota estratégica ameaçada por bloqueio iraniano

Dados da Agência de Administração de Informação Energética dos Estados Unidos (EIA) divulgados nesta terça-feira, 3 de março de 2026, revelam que a China importa 38% do petróleo que passa pelo Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais críticas para o abastecimento global de energia. No primeiro trimestre de 2025, o país consumiu 5,4 milhões de barris por dia provenientes dessa via, que escoou uma média diária de 14,2 milhões de barris no período.

Outros grandes importadores asiáticos e o impacto do bloqueio

A Índia aparece como o segundo maior destino do petróleo transportado pela região, com 14,78% do total, equivalente a 2,1 milhões de barris por dia. A Coreia do Sul adquiriu 1,7 milhão de barris diários (12%), enquanto o Japão respondeu por 11,3% do volume, ou 1,6 milhão de barris por dia. Esses números ganham urgência após a Guarda Revolucionária do Irã anunciar o fechamento do estreito, ameaçando incendiar qualquer navio que tentar romper o bloqueio.

A decisão iraniana ocorre em meio à escalada das tensões geopolíticas, desencadeada por ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o território iraniano no fim de semana. Ebrahim Jabari, conselheiro sênior da corporação, declarou em comunicado divulgado pela imprensa estatal: “O estreito está fechado. Se alguém tentar passar, os heróis da Guarda Revolucionária e da Marinha regular incendiarão esses navios.”

Interrupção do tráfego e reações do mercado

Mesmo antes do anúncio oficial, o tráfego marítimo já havia sido praticamente interrompido na região. Seguradoras internacionais, incluindo Gard, Skuld, NorthStandard, London P&I Club e American Club, ameaçaram cancelar coberturas e elevar prêmios, com os cancelamentos programados para valer a partir de 5 de março. O conflito já resultou em:

  • Quatro petroleiros danificados
  • Duas mortes confirmadas
  • Cerca de 150 navios retidos na área

Diante desse cenário, os contratos futuros do petróleo Brent para maio avançaram 2,3%, atingindo 79,53 dólares por barril. A EIA alertou em nota publicada em seu site: “A impossibilidade de o petróleo transitar por um ponto de estrangulamento relevante, mesmo que temporariamente, pode provocar atrasos significativos no fornecimento e elevar os custos de transporte, pressionando os preços globais de energia.”

Importância estratégica e perspectivas econômicas

O Estreito de Ormuz é uma rota vital que liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Mar da Arábia, separando o Irã da Península Arábica. Com apenas 33 quilômetros de largura em seu ponto mais estreito e faixas de navegação de 3 quilômetros em cada sentido, cerca de 20% do petróleo consumido no mundo passa por essa passagem.

Para Helder França, professor da Fipecafi, o fechamento de Ormuz não deve gerar impacto imediato sobre os países importadores, pois os principais compradores possuem reservas significativas capazes de amortecer pressões inflacionárias nos próximos meses. No entanto, ele ressalta: “Ainda assim, é possível uma elevação global dos preços, por se tratar de uma região com infraestrutura consolidada, o que reacende o debate sobre a necessidade de diversificar a matriz energética com fontes renováveis e sustentáveis.”

Em síntese, a paralisação da navegação no Estreito de Ormuz atinge diretamente a China, um dos principais parceiros comerciais do Irã. O efeito, porém, tende a não ser imediato. Quanto mais tempo o bloqueio perdurar, maior a probabilidade de que China e demais países asiáticos sintam os reflexos no setor de petróleo, com potenciais impactos na economia global e nos preços da energia.