Austrália e União Europeia selam acordo comercial histórico após anos de negociações
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o primeiro-ministro da Austrália, Anthony Albanese, assinaram nesta segunda-feira, 23 de julho, um acordo comercial que marca o fim de anos de negociações complexas. O evento ocorreu em Canberra, já na terça-feira no horário local, simbolizando um passo significativo na aproximação entre os dois blocos econômicos.
Contexto e motivações estratégicas
As negociações entre Austrália e União Europeia tiveram início em 2018, mas avançaram de forma lenta até ganharem impulso recentemente. Este movimento ocorre em meio ao aumento das tensões comerciais globais, parcialmente impulsionadas por tarifas dos Estados Unidos, que forçaram a Europa a buscar novos mercados.
O acordo também reflete um esforço claro da UE para reduzir sua dependência da China, especialmente em minerais críticos. Pequim impôs controles de exportação sobre recursos estratégicos, levando a Europa a diversificar suas fontes. Além disso, o pacto sinaliza um aumento do engajamento europeu na região do Indo-Pacífico, seguindo acordos comerciais recentes com Indonésia, em setembro, e Índia, em janeiro.
Benefícios econômicos imediatos
O acordo eliminará mais de 99% das tarifas sobre exportações de bens da União Europeia para a Austrália. Esta medida reduzirá em aproximadamente um bilhão de euros por ano os custos com tarifas para as empresas europeias. Também haverá reduções significativas nas tarifas sobre importações de minerais críticos, conforme anunciado pela UE.
Ursula von der Leyen destacou a proximidade estratégica entre os dois lados: "A UE e a Austrália podem estar geograficamente distantes, mas não poderíamos estar mais próximos em termos de como vemos o mundo". Ela acrescentou que, com essas novas parcerias em segurança, defesa e comércio, as relações se fortalecem ainda mais.
Impactos setoriais e expectativas futuras
A Comissão Europeia, que supervisiona a política comercial do bloco de 27 países, espera que o acordo ajude a aumentar as exportações totais para a Austrália em até 33% ao longo da próxima década. No setor de serviços, a UE terá maior acesso para telecomunicações e serviços financeiros.
Na agricultura, as tarifas australianas cairão a zero imediatamente para produtos como vinhos, espumantes, frutas, vegetais e chocolates. Para queijos, a redução ocorrerá gradualmente ao longo de três anos. Quanto à carne bovina, a UE abrirá duas cotas tarifárias que totalizam 30.600 toneladas, com cerca de 55% do volume entrando livre de tarifas.
Superando obstáculos históricos
As negociações anteriores fracassaram em 2023, principalmente devido a divergências sobre cotas da UE para importações de carne e proteções ao setor agrícola. O sucesso atual demonstra a superação desses impasses, com ambos os lados encontrando um terreno comum.
O comércio entre Austrália e União Europeia já é significativo. Em 2025, empresas da UE exportaram para a Austrália 37 bilhões de euros em bens, enquanto em 2023 foram 28 bilhões de euros em serviços. Como bloco, a UE foi o terceiro maior parceiro comercial bilateral da Austrália em 2024, além de seu sexto maior destino de exportações. O bloco também foi a segunda maior fonte de investimento estrangeiro na Austrália no mesmo ano.
Este acordo comercial não apenas fortalece laços econômicos, mas também reforça a posição estratégica da Europa em um cenário global em transformação, marcado por realinhamentos geopolíticos e busca por resiliência nas cadeias de suprimentos.



