Arábia Saudita alerta para petróleo a US$ 180 com guerra prolongada no Oriente Médio
Autoridades do setor petrolífero da Arábia Saudita preveem que o preço do petróleo pode ultrapassar a marca de US$ 180 por barril (equivalente a mais de R$ 950 na cotação atual) caso a guerra que abala o Oriente Médio há três semanas continue provocando interrupções no fornecimento até o final de abril. As informações são de uma reportagem exclusiva publicada pelo jornal americano The Wall Street Journal nesta sexta-feira, 20 de março de 2026, quando o conflito completou seu 21º dia sem sinais de arrefecimento.
Risco de recessão global e instabilidade de mercado
Embora uma alta expressiva nos preços do petróleo possa parecer benéfica para um país ainda fortemente dependente da receita do combustível, as autoridades da maior nação exportadora do mundo consideram este cenário como um risco sério para a economia global. Preços extremamente elevados podem levar os consumidores a reduzir o uso de petróleo de maneiras que persistam mesmo após o fim da guerra, além de empurrar a economia mundial para uma recessão, enfraquecendo ainda mais a demanda.
"A Arábia Saudita geralmente não gosta de aumentos muito rápidos nos preços do petróleo, porque isso gera instabilidade de mercado a longo prazo", afirmou ao WSJ o analista de geopolítica saudita Umar Karim, do Centro Rei Faisal para Pesquisa e Estudos Islâmicos. "Para os sauditas, a equação ideal é um aumento relativamente moderado nos preços, enquanto sua participação de mercado permanece estável."
Consequências catastróficas e ataques recentes
No início de março, o presidente e CEO da empresa estatal Saudi Aramco, Amin H. Nasser, já havia alertado que a guerra em curso no Oriente Médio poderia ser "catastrófica" para o mercado de petróleo. "Quanto mais tempo durar a perturbação, mais catastróficas serão as consequências para os mercados de petróleo e mais drásticas as consequências para a economia global", declarou o executivo à imprensa na época.
Nasser destacou a importância crucial da retomada do tráfego marítimo no Estreito de Ormuz, via por onde transita 20% do petróleo consumido em todo o planeta. Na quinta-feira, novos ataques retaliatórios do Irã contra nações do Golfo, aliadas de Washington, afetaram não apenas refinarias, mas diversas etapas do complexo petrolífero no Catar, Kuwait e Arábia Saudita, impulsionando o barril de Brent, referência internacional, para US$ 119, antes dos preços voltarem a recuar.
Cenário alarmante e medidas emergenciais
O petróleo bruto de Omã, uma referência dos produtores do Oriente Médio que inclui a Arábia Saudita e tende a responder mais rapidamente a choques na oferta regional, já disparou acima de US$ 166 por barril. A máxima histórica do petróleo permanece em US$ 146,08, atingida em julho de 2008, mas especialistas alertam que valores ainda mais altos são possíveis.
"O petróleo a US$ 200 não está fora de cogitação em 2026", disse um especialista da consultoria de energia Wood Mackenzie ao jornal americano. O conflito já retirou milhões de barris do mercado global, contribuindo para um aumento de aproximadamente 50% nos preços do petróleo desde o início da guerra, em 28 de fevereiro.
A Agência Internacional de Energia (AIE), ligada ao clube dos países ricos OCDE, anunciou a liberação de 400 milhões de barris de suas reservas emergenciais para aumentar a oferta, mas estima que o fornecimento deve cair em 10 milhões de barris por dia. Segundo o órgão, essa já é a pior crise do setor na história, com impactos que podem se estender por anos e afetar profundamente a recuperação econômica mundial.



