Crise no Estreito de Hormuz: 150 Petroleiros Paralisados Após Ataques e Ameaças Iranianas
150 Petroleiros Paralisados no Estreito de Hormuz Após Ataques

Crise no Estreito de Hormuz Paralisa 150 Petroleiros e Ameaça Mercado Global de Petróleo

Uma grave crise de segurança no Estreito de Hormuz, passagem estratégica que conecta o golfo Pérsico ao oceano Índico e por onde circula cerca de 20% da oferta global de petróleo, resultou na paralisação de pelo menos 150 petroleiros. Essas embarcações, incluindo navios de petróleo bruto e de gás natural liquefeito (GNL), lançaram âncora em águas abertas além do estreito, conforme estimativas da Reuters baseadas em dados de rastreamento da plataforma MarineTraffic.

Concentração em Águas Abertas e Suspensão de Rotas por Grandes Empresas

Os petroleiros estão concentrados em águas abertas ao largo das costas de grandes produtores de petróleo do golfo, como Iraque, Arábia Saudita e Catar, este último crucial no mercado de GNL. O fluxo de embarcações de maior porte pelo estreito, especialmente aquelas em direção ao golfo, caiu drasticamente desde sábado (28), quando ocorreram ataques na região.

Duas das maiores transportadoras marítimas do mundo, CMA CGM e Hapag-Lloyd, ordenaram a seus navios que não naveguem pela área. A CMA CGM, terceira maior do mundo, declarou em comunicado que todos os navios no golfo Pérsico ou a caminho devem permanecer em segurança com efeito imediato. A passagem pelo canal de Suez também foi suspensa, com desvios pelo cabo da Boa Esperança, no sul da África, aumentando o trajeto em milhares de quilômetros.

A alemã Hapag-Lloyd congelou o trânsito de suas embarcações, enquanto empresas japonesas como Mitsui OSK Lines e NYK Lines também suspenderam as passagens. A Mitsui afirmou que prioriza a segurança de marinheiros, cargas e navios, com vários aguardando uma passagem segura.

Ameaças Iranianas e Impacto no Mercado de Petróleo

Ao longo do sábado, a Força Naval da União Europeia anunciou que a Guarda Revolucionária Iraniana advertiu por rádio que a passagem pelo estreito de Hormuz não estava autorizada. Dados do MarineTraffic mostram que parte dos petroleiros deu meia volta ou parou antes de cruzar o estreito.

As restrições ao tráfego são consideradas mais preocupantes para o mercado mundial de petróleo do que interrupções no fluxo iraniano. O Irã, com a quarta maior reserva provada de petróleo bruto do mundo, tem exportações limitadas por sanções e falta de investimentos, produzindo 3,45 milhões de barris por dia em janeiro, menos de 3% da oferta global, quase toda destinada à China.

Previsões de Alta nos Preços e Tensões Regionais

O banco britânico Barclays elevou a previsão para o preço futuro do petróleo Brent de US$ 80 para cerca de US$ 100 por barril após o ataque, alertando que os mercados podem enfrentar seus piores temores. Os preços já subiram cerca de 2% na sexta-feira (27), com o Brent fechando a US$ 72,48 o barril, enquanto investidores se preparam para possíveis interrupções no fornecimento.

Várias empresas de transporte, como a dinamarquesa Maersk, já haviam alertado clientes na sexta-feira para atrasos nas entregas, após navios mudarem de rumo diante do risco de escalada militar na região. Esta crise ressalta a fragilidade das rotas marítimas globais e seu impacto direto na economia mundial.