O ano de 2026 começou com um cenário desafiador para quem vive de aluguel no Brasil. Após um período de fortes aumentos, o mercado residencial segue pressionado, mantendo os custos em patamares elevados para os locatários.
Alta de quase 9% em 2025 pressiona o bolso
De acordo com dados divulgados pelo FGV IBRE, os preços dos aluguéis residenciais registraram uma alta média de 8,85% ao longo de 2025. Este resultado supera ligeiramente os reajustes observados no ano anterior, indicando uma continuidade na tendência de valorização. Em dezembro de 2025, o Índice de Variação de Aluguéis Residenciais (IVAR) avançou 0,51%, elevando a variação acumulada em 12 meses.
Matheus Dias, economista do FGV IBRE, explica que o cenário reflete a demanda aquecida e um processo de recomposição de valores que se estendeu por todo o ano passado. "É sinal de que os efeitos defasados da inflação e o processo de recomposição de preços seguem influenciando o mercado de aluguéis", afirma o especialista.
Fatores que sustentam os reajustes elevados
Para o início de 2026, a perspectiva não é de alívio. O economista da FGV aponta que a manutenção de reajustes elevados deve continuar, sustentada por um conjunto de fatores estruturais:
- Juros ainda em patamar alto, o que encarece o crédito e desestimula a compra do imóvel próprio, mantendo a demanda por locação.
- Inflação de serviços persistente, que impacta os custos de manutenção e administração dos imóveis.
- Oferta restrita de imóveis, especialmente nas áreas centrais das grandes cidades, onde a demanda é mais concentrada.
Desempenho desigual nas capitais
A análise por capitais revela um comportamento heterogêneo do mercado. Entre novembro e dezembro de 2025, os aluguéis subiram em três das quatro cidades pesquisadas pelo índice, com destaque para Bel o Horizonte, que registrou alta de 1,11% no período. O Rio de Janeiro, por sua vez, ficou estável no mês.
No acumulado dos 12 meses de 2025, a situação se inverte em termos de liderança na alta:
- Rio de Janeiro liderou com forte aceleração, fechando o ano com alta de 12,11%.
- São Paulo veio em seguida, com avanço de 9,48% no período.
- Porto Alegre e Belo Horizonte apresentaram desaceleração no ritmo anual, sendo que a queda foi mais intensa em Porto Alegre.
Este panorama reforça que, apesar de algumas variações regionais, o cenário nacional para o locatário no início de 2026 é de custo elevado e pouca expectativa de queda imediata. A combinação entre juros altos, inflação em serviços e escassez de oferta em locais valorizados deve seguir ditando os reajustes nos contratos, exigindo planejamento financeiro redobrado de quem depende do aluguel para moradia.