Reabertura do Estreito de Ormuz causa queda no petróleo e impacto na economia global
Reabertura de Ormuz derruba petróleo e afeta mercados globais

Reabertura do Estreito de Ormuz provoca turbulência nos mercados globais

O preço do barril de petróleo tipo Brent sofreu uma queda expressiva de mais de 11% nesta sexta-feira, especificamente no contrato de junho, após o anúncio histórico do ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi. A declaração confirmou a reabertura do estratégico Estreito de Ormuz, consequência direta de um acordo recentemente firmado entre Israel e Líbano. Este movimento geopolítico gerou imediata euforia nos mercados de ações ao redor do mundo e contribuiu para a desvalorização do dólar frente às principais moedas internacionais.

Impacto imediato nas cotações e na moeda brasileira

No cenário doméstico, o dólar foi cotado a R$ 4,9845 por volta das 12h45, registrando uma queda de 0,12% no dia. Esta movimentação acumula uma baixa de 0,37% ao longo da semana e uma redução mais significativa de 5,36% nos últimos trinta dias. Contudo, a situação apresentou uma ligeira reversão após uma declaração do então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que afirmou que o país norte-americano assumiria o controle do tráfego marítimo na região sensível. Esta intervenção verbal levou a uma recuperação parcial do Brent para entrega em junho, que foi cotado a US$ 88,91 às 12h40 (horário de Brasília), ainda assim marcando uma queda substancial de 10,70%.

Efeitos desiguais na bolsa de valores brasileira

No mercado acionário brasileiro, a maioria das ações que compõem o Ibovespa apresentava desempenho positivo. No entanto, o peso considerável das ações das empresas petrolíferas, que experimentaram fortes quedas, puxou o índice principal da B3 para uma baixa de 0,32%. As ações da Petrobras, em particular, lideraram esse movimento de descida. É compreensível que pequenas petroleiras, que exportam praticamente toda a sua produção, acompanhem de perto a queda dos preços internacionais. No entanto, análises econômicas mais sólidas deveriam considerar o valor do custo de extração por companhia, um fator que varia drasticamente.

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A Petrobras, por exemplo, extrai petróleo do pré-sal (responsável por 73% de sua produção) a um custo inferior a US$ 22 por barril, enquanto a Petrorecôncavo opera com custos significativamente mais elevados. O mercado também reagiu de forma desigual entre as distribuidoras de combustíveis, que dependem da importação de diesel e GLP. As ações da Cosan, uma das maiores produtoras de etanol do país, subiram 1,12% no dia, mas acumulavam uma queda de 3,23% na semana. Sua parceria com a Shell, a Raízen, registrou alta de 1,89% no dia, porém uma baixa semanal de 8,92%.

Em contraste, as ações da Ultrapar, controladora da Ipiranga, caíram 2,34% no dia e 2,40% na semana. A Vibra, que opera sob a bandeira da Petrobras, também apresentou desempenho negativo, com quedas de 1,52% no dia e 1,90% na semana.

Dilema complexo para o Comitê de Política Monetária

Com o dólar negociando abaixo da barreira psicológica de R$ 5,00 – movimento impulsionado em grande parte pelo elevado diferencial entre as taxas de juros brasileiras e americanas – e a queda do Brent se estendendo a todos os vencimentos de contratos futuros até março de 2033, o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) se vê diante de um cenário complexo. A Selic brasileira permanece em 14,75%, enquanto o piso dos juros nos Estados Unidos varia entre 3,50% e 3,75%, criando um atrativo para capitais estrangeiros.

Se os preços do petróleo se mantiverem em níveis deprimidos, o Copom pode perder uma valiosa janela de oportunidade para implementar um corte de juros mais vigoroso, potencialmente de 0,50% em vez dos 0,25% amplamente previstos pelo mercado financeiro. Este cenário se tornaria ainda mais provável se o Federal Reserve (Fed) dos EUA sinalizar um futuro ciclo de baixa em suas taxas. No entanto, uma decisão precipitada do Copom em reduzir os juros, cedendo a pressões políticas, poderia premiar a especulação altista nos preços de produtos industriais e agrícolas no Brasil.

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O diferencial de juros de 11% entre Brasil e EUA é considerado extremamente alto e permaneceria elevado mesmo com cortes para 10,75% ou 10,50%, sem necessariamente comprometer o efeito deflacionário proporcionado pela valorização do real. O Banco Central joga, portanto, uma cartada decisiva. Não pode permitir que os especuladores vençam esta aposta, mas, ao mesmo tempo, precisa ponderar cuidadosamente o que a manutenção de juros altos significará para os cerca de 80 milhões de brasileiros atualmente endividados, um peso social e econômico considerável.