IPCA sobe 0,7% em fevereiro, pressionado por educação e transportes
IPCA sobe 0,7% em fevereiro, acima das projeções do mercado

Inflação oficial do Brasil acelera em fevereiro, com destaque para educação e transportes

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), principal termômetro da inflação no país, registrou uma alta de 0,7% em fevereiro de 2026. Esse resultado representa uma aceleração significativa em relação ao mês anterior, janeiro, quando a variação foi de 0,33%. A divulgação dos dados, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira (12), foi aguardada com atenção por diversos setores da economia nacional.

Acumulado anual e projeções do mercado financeiro

No acumulado dos últimos doze meses, a inflação medida pelo IPCA chegou a 3,81%, um patamar que se mantém dentro da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) para o ano de 2026. Contudo, a variação mensal de fevereiro superou a mediana das projeções do mercado financeiro, que era de 0,64%, conforme dados compilados pela agência Bloomberg.

Para o ano inteiro de 2026, os investidores consultados pelo boletim Focus, do Banco Central, projetam um aumento médio de 3,91% nos preços. Esse cenário indica uma expectativa de inflação controlada, mas com pressões pontuais que exigem monitoramento constante.

Principais grupos que impulsionaram a alta

De acordo com o IBGE, o avanço do IPCA em fevereiro foi impulsionado principalmente por dois grupos de despesa: educação e transportes. O grupo de educação apresentou uma alta expressiva de 5,21%, contribuindo com 0,31 ponto percentual para o resultado geral. Já o grupo de transportes registrou um aumento de 0,74%, adicionando 0,15 ponto percentual ao índice.

Em conjunto, esses dois grupos foram responsáveis por aproximadamente 66% da variação total do IPCA no mês. Esse destaque reflete pressões específicas em setores essenciais para o orçamento das famílias brasileiras.

Impacto na política monetária e expectativas para o Copom

O IPCA não é apenas uma métrica para medir a variação nos preços de produtos e serviços; ele é fundamental para a condução da política monetária do país. Com base no ritmo desse índice, os diretores do Banco Central decidem aumentar ou diminuir a taxa básica de juros, a Selic, cujas alterações têm amplas consequências para a economia nacional.

Quando o IPCA sobe acima do esperado, a autoridade monetária tende a elevar os juros para conter a demanda e controlar a inflação. O inverso também é verdadeiro: uma desaceleração pode levar a cortes na taxa. A divulgação do IPCA de fevereiro é especialmente relevante porque influenciará diretamente a próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para a semana que vem.

Especialistas do mercado financeiro já sinalizam que esperam uma redução na taxa Selic, atualmente em 15%, com cortes que podem variar entre 0,25 e 0,5 ponto percentual. A decisão do Copom será crucial para definir os rumos da economia brasileira nos próximos meses, equilibrando o controle inflacionário com o estímulo ao crescimento.