Inadimplência em empréstimos livres atinge maior nível desde 2017, segundo Banco Central
A inadimplência de consumidores e empresas em empréstimos com recursos livres — aqueles em que bancos e clientes negociam as condições diretamente — subiu para 5,5% em janeiro de 2025, alcançando o maior nível desde agosto de 2017. Os dados foram divulgados pelo Banco Central nesta quarta-feira (25) e mostram um aumento em relação ao índice de 5,4% registrado em dezembro de 2024.
Contexto de juros elevados e desaceleração econômica
Na comparação em 12 meses, a alta foi de 1,1 ponto percentual, ocorrendo em um cenário de juros ainda elevados. A taxa básica Selic permanece atualmente em 15% ao ano, o patamar mais alto em quase duas décadas, após o Banco Central interromper um ciclo agressivo de aperto monetário em julho de 2024. A instituição, no entanto, sinalizou que pode iniciar cortes na Selic no próximo mês, diante de sinais mais claros de desaceleração da economia brasileira.
Queda na concessão de crédito e aumento dos juros
Os dados revelam também uma queda significativa na concessão de empréstimos. Em janeiro, houve uma redução de 18,9% na comparação com dezembro, resultando em um recuo de 0,2% no estoque total de crédito do sistema financeiro, que chegou a R$ 7,116 trilhões. Nas operações com recursos livres, as novas concessões diminuíram 17,2% no mês, enquanto nos financiamentos com recursos direcionados — que seguem critérios definidos pelo governo — a queda foi mais intensa, de 32,9%.
Os juros cobrados pelos bancos no crédito livre subiram para 47,8% ao ano em janeiro, representando uma alta de 1,2 ponto percentual em relação ao mês anterior. Nos recursos direcionados, a taxa ficou em 11,6% ao ano, com um avanço de 0,2 ponto no período. O chamado spread bancário — diferença entre o custo de captação dos bancos e a taxa final cobrada do cliente — também aumentou, atingindo 34,3 pontos percentuais nas operações com recursos livres, ante 33,0 pontos em dezembro.
Perspectivas e sinais de estabilização
No último Relatório de Política Monetária, divulgado em dezembro, o Banco Central atribuiu o aumento da inadimplência ao longo de 2025 principalmente a mudanças nas regras de classificação de crédito. A instituição afirmou, porém, que já observa alguns sinais de estabilização do indicador, sugerindo que a situação pode começar a se normalizar nos próximos meses, especialmente se os cortes na Selic forem implementados conforme esperado.
Este cenário reflete os desafios enfrentados por consumidores e empresas em um ambiente de crédito mais restrito e custoso, com impactos potenciais na atividade econômica e no acesso a financiamentos no Brasil.



