As famílias brasileiras já comprometem quase metade de sua renda com dívidas, segundo as estatísticas mensais de crédito divulgadas pelo Banco Central (BC) nesta segunda-feira, 27. Em fevereiro, o endividamento das famílias — que mede o total de dívidas em aberto em relação à renda domiciliar — atingiu 49,9%, o maior percentual registrado desde o início da série histórica, em 2005.
Recorde histórico de endividamento
Em janeiro, o comprometimento da renda com dívidas era de 49,76%, e em fevereiro de 2025, estava em 48,61%. O recorde anterior havia sido em julho de 2022, quando o índice chegou a 49,88%, impulsionado pela rápida alta dos juros após a pandemia. Desde janeiro de 2005, quando a proporção era de 16,3%, o endividamento das famílias brasileiras mais que triplicou.
Dívidas imobiliárias e não imobiliárias
O cálculo do BC inclui tanto dívidas gerais quanto financiamentos imobiliários. Excluindo o crédito imobiliário, o comprometimento da renda com outros débitos é de 31,38%. Nesse caso, o recorde ainda pertence a julho de 2022, com 31,48%. Apesar da leve diferença, a tendência de alta é clara.
Inadimplência em trajetória de alta
Com menos renda disponível para arcar com outras despesas além das parcelas e juros, a inadimplência também cresce. No crédito livre — que inclui crédito pessoal e cartão de crédito — a taxa de inadimplência das pessoas físicas chegou a 7,2% em fevereiro, ante 5,7% em março de 2025. Dados preliminares de março mostram ligeira queda para 7%.
Crédito direcionado também registra alta
No crédito direcionado, que abrange financiamentos regulados ou subsidiados, como imobiliários e do BNDES, a inadimplência foi de 3,2% em fevereiro e 3,1% em março, comparado a 1,7% em março de 2025. O aumento expressivo indica que as famílias estão com dificuldades crescentes para honrar compromissos mesmo em linhas subsidiadas.
Os dados do BC reforçam o cenário de aperto financeiro para os brasileiros, com a renda cada vez mais comprometida e a inadimplência batendo recordes. A tendência preocupa especialistas, que veem riscos para o consumo e a economia como um todo.



