Mercado em dúvida sobre corte da Selic: 0,25% ou 0,50% em março?
Dúvida no mercado sobre corte da Selic em março

No cenário econômico atual, o mercado financeiro brasileiro vive um momento de intensa especulação e incerteza. Após a divulgação da Ata do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom), que ocorreu recentemente, investidores e analistas estão divididos sobre o tamanho do primeiro corte da taxa Selic desde julho de 2025, previsto para a reunião de 18 de março. Enquanto alguns apostam em uma redução modesta de 0,25%, outros acreditam em um movimento mais ousado de 0,50%, refletindo a complexidade da análise dos riscos inflacionários e do desempenho da economia.

Análise comparativa dos riscos e expectativas do Copom

O Itaú, em sua análise, destacou que os riscos internos e externos para a inflação permanecem idênticos desde as reuniões de novembro e dezembro, apesar do Copom considerar que a política monetária restritiva cumpriu seu papel. O Comitê avalia que essa estratégia permitiu um pouso suave da inflação e a ancoragem das expectativas, criando condições para anunciar a queda da Selic. No entanto, essa visão não dissipou as dúvidas do mercado, que agora se concentra na intensidade do corte inicial e na trajetória da taxa ao longo de 2026.

Projeções divergentes para a taxa Selic em 2026

As apostas para a taxa final de 2026 variam significativamente entre as principais instituições financeiras. O Bradesco projeta uma Selic de 12%, a 4Intelligence estima 12,50%, e o Itaú prevê 12,75%. Essa divergência reflete diferentes interpretações dos dados econômicos e da comunicação do Copom, com cada banco oferecendo uma visão única sobre o ciclo de flexibilização monetária.

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Visão do Bradesco: corte de 0,50% e cautela com o mercado de trabalho

O Bradesco argumenta que o discurso do Copom é compatível com um corte de juros de 0,50 ponto percentual em março, com uma taxa terminal de 12% no final do ano. A instituição ressalta que o Copom está mais confiante na transmissão da política monetária para a atividade econômica, mas alerta para o mercado de trabalho ainda aquecido, que servirá como ponto de atenção durante o ciclo de cortes. A moderação da demanda, segundo o Bradesco, precisa ser confirmada para sustentar a flexibilização.

Visão da 4Intelligence: ajuste modesto e calibração gradual

Já a 4Intelligence enfatiza que a política monetária está em uma fase de calibração, com a ata do Copom destacando a necessidade de cautela. A empresa prevê um ajuste modesto de 25 pontos-base em março, seguido por vários cortes consecutivos de 50 pontos-base nas reuniões posteriores. A 4Intelligence acredita que o Copom manterá os juros em patamar restritivo até que a desaceleração da inflação e a reancoragem das expectativas se confirmem, ajustando a intensidade e duração do ciclo conforme novas informações surgirem.

Visão do Itaú: possibilidade de 0,50% e riscos cambiais

O Itaú, por sua vez, não descarta a possibilidade de um corte de 25 pontos-base, mas indica que a opção de 50 pontos pode se tornar dominante se as próximas divulgações de dados forem benignas. A instituição projeta que o Banco Central enxergará uma inflação de 3,1% no horizonte relevante, permitindo o movimento. No entanto, o Itaú alerta para riscos, como uma depreciação do real, que poderia afetar esse cenário. Atualmente, o banco mantém sua projeção de Selic em 12,75% ao final do ano.

Queda nos lucros do Santander Brasil em 2025

Em meio a esse debate monetário, o Santander Brasil, maior operação do banco de Ana Botin, anunciou uma queda de 2,8% nos lucros em 2025, totalizando 2,168 bilhões de euros. Em euros constantes, a redução foi de 10,4%. Um dos motivos para essa performance foi a mudança regulatória com a Resolução CMN nº 4.966/21, que alterou o conceito da carteira renegociada, tornando-a não comparável com períodos anteriores. Isso resultou em muitas perdas para provisões, impactando os resultados.

Ao final de dezembro, o portfólio totalizava R$ 49,4 bilhões, com um incremento de 9,4% no trimestre, devido à inclusão de renegociações com atraso inferior a 30 dias. A cobertura dessa carteira ficou em 44,9%, ligeiramente abaixo dos 45,2% do trimestre anterior. Com isso, a participação do Brasil nos lucros globais do Santander, que superava 30% na década passada, caiu para 15,3%.

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Desempenho global do Santander em 2025

Globalmente, o Santander registrou lucro de 14,101 bilhões de euros em 2025, um aumento de 12,1% sobre 2024, impulsionado pela compra do Western Bank, que elevou a carteira global para 180 milhões de clientes. A matriz espanhola teve o maior quinhão, com lucro de 4,272 bilhões de euros (30,29% do total) e crescimento de 13,5% em moeda constante. A operação do México foi a terceira maior, com 1,705 bilhão de euros (12,1% do total), mas com queda de 2%. Nos Estados Unidos, o banco teve forte desempenho, com lucro de 1,541 bilhão de euros e avanço de 39%, em parte devido à valorização do euro frente ao dólar.

Esses dados reforçam a complexidade do ambiente econômico, onde decisões monetárias e resultados corporativos se entrelaçam, moldando as expectativas para os próximos meses. O mercado aguarda ansiosamente a reunião do Copom em março, que definirá o rumo da política de juros no Brasil.