Dólar sobe levemente com IPCA acima do esperado e agenda econômica cheia
Dólar sobe com IPCA acima do esperado e agenda econômica

Entenda os fatores que influenciam a alta e a queda do dólar no Brasil

O dólar iniciou a sessão desta terça-feira, 10 de junho, com uma leve alta de 0,15%, sendo negociado a R$ 5,1955. Enquanto isso, o Ibovespa, principal índice da bolsa de valores brasileira, está programado para abrir às 10 horas. No cenário nacional, o grande destaque do dia é a divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, o IPCA, que é o indicador oficial de inflação no país.

IPCA de janeiro surpreende com alta acima das expectativas

De acordo com dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, os preços ao consumidor subiram 0,33% no mês de janeiro. Esse resultado acumula uma alta de 4,44% nos últimos doze meses, ficando ligeiramente acima das projeções do mercado financeiro, que apontavam um avanço de 0,32% no mês e de 4,43% no acumulado anual.

Agenda econômica movimentada com eventos nacionais e internacionais

Também pela manhã, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, participa de um painel em evento promovido pelo BTG Pactual, às 9 horas. No mesmo evento, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, estará presente em um painel às 11h30.

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Nos Estados Unidos, a presidente do Federal Reserve de Cleveland, Beth Hammack, participa de uma conferência às 14 horas, enquanto a presidente do Fed de Dallas, Lorie Logan, fala em um painel às 15 horas.

Ainda na agenda americana, serão divulgados dados de preços de importados e vendas no varejo referentes ao mês de dezembro, além de estoques empresariais e de petróleo mais tarde no dia.

O mercado financeiro acompanha esses indicadores em meio à expectativa pela divulgação do relatório de empregos, conhecido como payroll, prevista para amanhã, 11 de junho.

Desempenho acumulado do dólar e do Ibovespa

Dólar:

  • Acumulado da semana: -0,62%
  • Acumulado do mês: -1,14%
  • Acumulado do ano: -5,48%

Ibovespa:

  • Acumulado da semana: +1,80%
  • Acumulado do mês: +2,69%
  • Acumulado do ano: +15,59%

Caso Banco Master continua no centro das atenções

Os desdobramentos do caso envolvendo o Banco Master permanecem sob os holofotes do mercado. Na segunda-feira, os comentários do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, durante evento da Associação Brasileira de Bancos, ganharam destaque.

Galípolo afirmou que o caso gerou confusão e desinformação no debate público, especialmente sobre a legalidade de oferecer rendimentos acima do mercado. Segundo o banqueiro central, isso por si só não justificaria uma intervenção do BC, pois não existe regra que proíba bancos de captar recursos pagando juros mais altos, como fazia o Master.

"Aquilo não configuraria um objeto para você liquidar o banco", disse Galípolo. "Tinha gente que cobrava que liquidasse o banco porque existiam CDBs sendo emitidos a uma taxa superior ao CDI. Não se trata disso", completou.

Na avaliação do presidente do BC, o problema central estava na combinação entre dificuldades de liquidez, dúvidas sobre a qualidade dos ativos e suspeitas envolvendo carteiras de crédito, o que levou à intensificação da supervisão a partir do fim de 2024.

Os prejuízos ligados ao caso, no entanto, continuam a aumentar. Um levantamento feito com base nos balanços mais atualizados disponibilizados pelo Ministério da Previdência Social indica que pelo menos oito fundos previdenciários estaduais e municipais que investiram em letras financeiras do Banco Master estão deficitários.

Eleições internacionais: Portugal e Japão

Portugal: O país elegeu António José Seguro, do Partido Socialista, como novo presidente no segundo turno da eleição. Com quase todos os votos apurados, ele obteve cerca de 67% dos votos, contra 33% de André Ventura, líder do partido de extrema direita Chega. Seguro venceu com apoio de partidos de centro e se apresentou como um candidato moderado, defensor da democracia e contrário ao discurso radical e anti-imigração do rival. Ventura reconheceu a derrota, mas afirmou que seu partido continua crescendo no país. A eleição ocorreu em meio a fortes tempestades, que adiaram a votação em algumas cidades.

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Japão: O partido da primeira-ministra Sanae Takaichi venceu a eleição antecipada e garantiu pelo menos dois terços das cadeiras do Parlamento, segundo a emissora pública NHK. Com essa maioria, o governo ganha força para aprovar suas propostas com mais facilidade. Takaichi, primeira mulher a governar o país, é conservadora, tem apoio do presidente dos EUA, Donald Trump, e defende posições duras sobre segurança, economia e imigração. A votação aconteceu em meio a nevascas, que dificultaram o acesso de eleitores às urnas em algumas regiões.

Temporada de balanços corporativos em destaque

A divulgação dos resultados corporativos do quarto trimestre continua no radar dos mercados. O BTG Pactual informou nesta manhã que teve um lucro recorde no fim de 2025. Entre outubro e dezembro, o banco ganhou cerca de R$ 4,6 bilhões, um aumento de 40% em relação ao mesmo período do ano anterior. Também faturou mais, com R$ 9,1 bilhões em receitas, superando as expectativas do mercado.

Agora, o mercado volta a atenção para os próximos resultados previstos para esta semana, com destaque para o Banco do Brasil, que divulga seus números na quarta-feira, 11 de junho, e a Vale, na quinta-feira, 12 de junho.

A expectativa é que os executivos da mineradora comentem sobre o caso mais recente envolvendo o nome da companhia. Nesta segunda-feira, a Justiça de Minas Gerais determinou a paralisação de todas as operações da empresa no Complexo Minerário de Fábrica, em Ouro Preto, na Região Central do estado. Segundo a decisão, as atividades só poderão voltar após comprovação da segurança das estruturas. Por enquanto, ficam permitidas apenas ações para reduzir riscos e evitar danos ambientais.

Boletim Focus reduz previsão de inflação para 2026

Outro destaque do dia ficou com o Boletim Focus. Segundo o documento, o mercado financeiro reduziu pela quinta semana seguida a previsão de inflação para 2026, de 3,99% para 3,97%. Se confirmada, a taxa ficará abaixo da inflação registrada em 2025, que foi de 4,26%.

As projeções para os anos seguintes foram mantidas: 3,8% em 2027 e 3,5% em 2028 e 2029. Para os juros, a expectativa é de queda da Selic, hoje em 15% ao ano, para 12,25% no fim de 2026. O crescimento do PIB em 2026 segue estimado em 1,8%, abaixo do ritmo projetado para 2025. Já o dólar deve encerrar 2026 em torno de R$ 5,50, segundo as previsões do mercado.

Bolsas globais registram desempenho positivo

Nos Estados Unidos, o clima nos mercados financeiros foi bastante positivo nesta segunda-feira, conforme empresas de tecnologia recuperavam boa parte das perdas da última semana, e à medida que investidores aguardam novos indicadores importantes da atividade econômica do país. Em Wall Street, o Dow Jones teve alta de 0,10%, enquanto o S&P 500 subiu 0,42% e o Nasdaq avançou 0,98%.

Na Europa, o índice pan-europeu STOXX 600 atingiu um novo recorde de fechamento, acompanhando uma recuperação global do mercado acionário. O índice avançou 0,70%. Entre os demais índices da região, destaque para o DAX, na Alemanha, que avançou 1,19%. Em Madri, o Ibex-35 teve alta de 1,40%, enquanto o PSI20, de Lisboa, subiu 1,13%.

Na Ásia, os mercados tiveram um dia de forte recuperação, impulsionados pelo desempenho recorde de Wall Street na sexta-feira, e pela alta das bolsas japonesas após a vitória eleitoral da primeira-ministra Sanae Takaichi no fim de semana. As ações chinesas também reagiram bem, com o melhor resultado em um mês.

Analistas recomendaram que os investidores mantivessem suas posições antes do feriado do Ano Novo Lunar, avaliando que a recente queda — de mais de 4% desde o pico de 29 de janeiro — pode ter chegado ao fim. No fechamento, os índices da região registraram altas expressivas.

  • Em Hong Kong, o Hang Seng subiu 1,76%, para 27.027 pontos.
  • Em Xangai, o SSEC avançou 1,41%, para 4.123 pontos, e o CSI300 ganhou 1,63%, chegando a 4.719 pontos.
  • No Japão, o Nikkei disparou 3,9%, para 56.363 pontos.
  • Na Coreia do Sul, o KOSPI subiu 4,10%, para 5.298 pontos.
  • Em Taiwan, o índice registrou alta de 1,96%, para 32.404 pontos.
  • Em Cingapura, o Straits Times avançou 0,54%, para 4.960 pontos.