Dólar inicia a semana em queda e bolsas globais mostram recuperação
O mercado financeiro brasileiro começa esta segunda-feira (9) com o dólar apresentando uma leve desvalorização frente ao real. Por volta das 9h05, a moeda norte-americana recuava 0,29%, sendo cotada a R$ 5,2052. Enquanto isso, o Ibovespa, principal índice da bolsa de valores do Brasil, está programado para abrir suas negociações às 10h, com expectativas de acompanhar o clima positivo observado em outros mercados internacionais.
Agenda econômica doméstica: Focus e discurso do BC
No cenário interno, o dia foi marcado pela divulgação do Boletim Focus, relatório semanal que traz as projeções de economistas para indicadores-chave. A edição desta semana mostrou uma nova redução na estimativa de inflação para 2026, que agora está em 3,97%. Além disso, as expectativas para o dólar ao final deste ano permanecem em R$ 5,50, enquanto a projeção para o crescimento do PIB ficou em 1,80% e para a taxa Selic em 12,25% ao ano.
Ainda na agenda brasileira, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, participa de um evento promovido pela Associação Brasileira de Bancos (ABBC), onde fará uma palestra abordando temas relacionados à estabilidade financeira. Sua fala é aguardada com atenção por investidores, que buscam sinais sobre a direção da política monetária nos próximos meses.
Cenário internacional: Fed e balanços corporativos
Nos Estados Unidos, a atenção se volta para discursos de dirigentes do Federal Reserve (Fed) ao longo da tarde. Christopher J. Waller e Stephen Miran estão programados para falar às 15h30, enquanto Raphael Bostic, presidente do Fed de Atlanta, discursa às 17h15. As declarações dessas autoridades podem oferecer pistas sobre os próximos passos da política de juros norte-americana, influenciando mercados em todo o mundo.
Paralelamente, a temporada de divulgação de balanços trimestrais segue no radar dos investidores. No Brasil, o BTG Pactual anunciou um lucro líquido ajustado de R$ 4,597 bilhões no quarto trimestre de 2025. Esse resultado representa uma alta de 1,3% em relação ao trimestre anterior e um crescimento expressivo de 40,3% na comparação com o mesmo período do ano anterior.
Reunião entre EUA e Irã gera expectativas cautelosas
Em um desenvolvimento geopolítico relevante, os Estados Unidos e o Irã realizaram uma reunião na sexta-feira (6), em Omã, para discutir um possível acordo sobre o programa nuclear iraniano. O encontro, que durou aproximadamente seis horas, ocorreu em meio a uma recente troca de ameaças militares entre as duas nações.
Segundo o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, o clima durante as conversas foi "muito positivo", com ambos os lados concordando em avançar nas negociações. No entanto, ele ressaltou que qualquer diálogo só evoluirá se Washington cessar as ameaças de agressão militar. Araqchi também afirmou que as negociações continuarão à distância, com os negociadores retornando às suas capitais para consultas adicionais.
O anúncio do fim temporário das conversas gerou certa frustração, mas fontes indicam que novas reuniões devem ocorrer nos próximos dias. Esse cenário geopolítico é monitorado de perto pelos mercados, pois tensões envolvendo o Irã podem impactar os preços do petróleo e a estabilidade global.
Bolsas globais em recuperação e desempenho expressivo na Ásia
Os mercados financeiros internacionais mostram sinais de melhora, impulsionados pela forte recuperação das ações americanas na sexta-feira. Empresas de tecnologia conseguiram reverter boa parte das perdas da semana, e a estabilização do bitcoin contribuiu para reduzir o pessimismo entre investidores.
Nos Estados Unidos, a atenção se volta para dois indicadores importantes: o relatório de emprego de janeiro, que foi adiado devido à paralisação parcial do governo, e o índice de preços ao consumidor. Esses dados são considerados essenciais para entender os próximos movimentos da política de juros do Fed.
Antes da abertura dos mercados norte-americanos, os contratos futuros indicavam leves altas. O S&P 500 subia 0,1%, enquanto o Dow Jones avançava 0,2%. Na Europa, as bolsas também começaram o dia em terreno positivo, acompanhando o clima mais otimista vindo dos EUA.
- Na Alemanha, o índice DAX subia 0,6%, para 24.864,59 pontos.
- Em Paris, o CAC 40 avançava 0,2%, para 8.288,06 pontos.
- No Reino Unido, o FTSE 100 registrava alta de 0,3%, chegando a 10.399,61 pontos.
Na Ásia, os mercados tiveram um dia de forte recuperação, com destaque para o desempenho recorde de Wall Street e a alta expressiva das bolsas japonesas. As ações chinesas também reagiram bem, apresentando o melhor resultado em um mês. Analistas avaliam que a recente correção pode ter chegado ao fim, recomendando que investidores mantenham suas posições antes do feriado do Ano Novo Lunar.
- Em Hong Kong, o Hang Seng subiu 1,76%, para 27.027 pontos.
- Em Xangai, o SSEC avançou 1,41%, para 4.123 pontos, e o CSI300 ganhou 1,63%, chegando a 4.719 pontos.
- No Japão, o Nikkei disparou 3,9%, para 56.363 pontos.
- Na Coreia do Sul, o KOSPI subiu 4,10%, para 5.298 pontos.
- Em Taiwan, o índice registrou alta de 1,96%, para 32.404 pontos.
- Em Cingapura, o Straits Times avançou 0,54%, para 4.960 pontos.
Desempenho acumulado: dólar e Ibovespa
Analisando os desempenhos acumulados, o dólar apresenta queda de 0,52% na semana e no mês, com uma desvalorização de 4,89% no ano. Por outro lado, o Ibovespa acumula alta de 0,87% na semana e no mês, com um crescimento expressivo de 13,54% no ano. Esses números refletem a dinâmica recente dos mercados, com a moeda norte-americana enfraquecendo e as ações brasileiras mostrando resiliência.
O cenário global continua volátil, com investidores acompanhando de perto os desenvolvimentos geopolíticos, as decisões de bancos centrais e os indicadores econômicos. A combinação entre a agenda doméstica, com o Boletim Focus e o discurso do BC, e os eventos internacionais, como a reunião entre EUA e Irã e os dados dos EUA, deve ditar os rumos dos mercados nos próximos dias.



