Dólar cai após ata do Copom indicar cortes de juros; Bolsa sobe com Vale e bancos
Dólar em queda com Copom; Bolsa sobe com Vale e bancos

Dólar abre em queda com foco na ata do Copom e indicação para o Fed

O dólar iniciou a sessão desta terça-feira (3) em terreno negativo, com os investidores analisando atentamente a ata da última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central, divulgada pela manhã. No documento, o comitê reforçou o plano de iniciar um ciclo de cortes de juros na próxima reunião, marcada para março, diante da melhora nos indicadores de inflação e da convergência das expectativas em direção à meta de 3%.

Às 9h08, a moeda norte-americana registrava uma queda de 0,39%, sendo cotada a R$ 5,2370. Na segunda-feira (2), o dólar havia fechado em alta de 0,21%, a R$ 5,257, retomando ganhos após a indicação de Kevin Warsh para a presidência do Fed (Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos).

Bolsa sobe com desempenho de Vale e bancos brasileiros

Enquanto isso, a Bolsa de Valores apresentava desempenho positivo, subindo 0,78% e alcançando os 182.793 pontos. O movimento foi impulsionado pelo bom desempenho das ações da Vale e dos bancos brasileiros, além do fluxo de investidores estrangeiros que buscaram oportunidades fora das praças norte-americanas.

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No mercado doméstico, o movimento da moeda americana acompanhou o índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes e avançava 0,59% ao longo do dia.

Mercado reage à indicação de Kevin Warsh para o Fed

Durante o pregão, os mercados financeiros continuaram reagindo à indicação de Kevin Warsh para o comando do banco central dos EUA. A moeda americana se beneficiou de um cenário de menor incerteza após a decisão.

“Essa recuperação do dólar ocorre na esteira da decisão de Trump sobre o novo presidente do Fed, que, por ora, dissipou parte das preocupações em relação à independência da instituição”, afirma Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad.

Warsh é visto como um defensor de uma postura hawkish, mais agressiva no combate à inflação e favorável à manutenção de juros elevados. Essa visão contraria o discurso do presidente Donald Trump, que pressiona por cortes e defende uma taxa em torno de 1%. Atualmente, os juros nos EUA estão entre 3,5% e 3,75%.

O indicado deve assumir o cargo em maio, quando se encerra o mandato de Jerome Powell. A nomeação ainda precisa ser confirmada pelo Senado até 15 de maio. Antes da indicação, operadores temiam uma maior interferência política nas decisões do Fed.

Análises apontam para credibilidade e possíveis flexibilidades

A avaliação agora é de que Warsh é um “nome com credibilidade” e que, apesar do discurso de crescimento econômico, tende a manter uma postura dura contra a inflação, segundo análise de Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad.

No entanto, integrantes da Casa Branca indicam que Warsh pode adotar uma abordagem mais flexível do que o mercado projeta. “Ele deverá ter uma postura mais sensível ao crescimento econômico e menos inclinada à manutenção de juros elevados por um período prolongado”, avalia Gabriel Cecco, especialista da Valor Investimentos.

Impacto no mercado de metais preciosos e petróleo

A notícia também repercutiu no mercado de metais preciosos, que vinha acumulando recordes nas últimas semanas. O ouro chegou a cair 10% e a prata, 15%, nesta manhã. A queda reflete a perspectiva de juros mais altos nos EUA, o que torna os títulos do Tesouro americano mais atraentes.

Com isso, ativos reais como ouro e prata, que vinham sendo usados como proteção em um cenário de juros baixos, passam a perder apelo.

O dia também foi marcado pela queda das ações da Petrobras e de outras empresas do setor de petróleo, acompanhando a desvalorização da commodity, que chegou a recuar mais de 5% pela manhã. A baixa do petróleo foi impulsionada por declarações de Trump de que o Irã estaria “conversando seriamente” com Washington, sinalizando a possibilidade de um acordo entre os países. Na semana passada, os preços haviam disparado com o aumento das tensões geopolíticas.

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Cenário doméstico: Congresso, STF e possíveis indicações

No cenário doméstico, investidores também acompanharam a retomada dos trabalhos do Congresso e do STF. Entre os temas no radar esteve a possibilidade de instalação de uma CPI do Banco Master.

Além disso, a eventual indicação do secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Guilherme Mello, para a diretoria do Banco Central também influenciou o mercado, especialmente os juros futuros.

Ao longo do dia, a taxa do contrato de DI para janeiro de 2028 subiu de 12,69% para 12,71%; a de janeiro de 2029 avançou de 12,69% para 12,75%; e a de janeiro de 2031 passou de 13,04% para 13,14%. No vencimento de 2035, a taxa foi de 13,30% para 13,42%.

“Depois que o nome de Guilherme Mello passou a circular, a sensação predominante foi de desconforto e cautela. Isso costuma aparecer como juros mais altos nos prazos longos, já que o mercado passa a exigir uma remuneração maior para emprestar ao governo por muitos anos”, afirma Rafael Lima, CEO da fintech Ótmow.

Contexto político e prioridades do governo

Kevin Warsh foi indicado na sexta-feira (30) pelo presidente Donald Trump, em decisão alinhada às críticas frequentes do republicano a Jerome Powell, nomeado por ele em 2017 e reconduzido pelo democrata Joe Biden em 2021. Desde o início do segundo mandato de Trump, Powell tem sido alvo de ataques por resistir às pressões da Casa Branca por cortes mais agressivos na taxa de juros.

Em paralelo, o presidente Lula enviou mensagem ao Congresso defendendo como prioridades o avanço do acordo Mercosul-União Europeia, o fim da escala 6x1 sem redução salarial e a regulação do trabalho por aplicativos. O texto também cita a PEC da Segurança, o PL Antifacção e o programa Gás do Povo como focos importantes para a agenda governamental.