O que faz o dólar subir ou cair: tensões no Oriente Médio e petróleo ditam o ritmo
Dólar e petróleo: tensões no Oriente Médio impactam mercados

Entenda os fatores que movimentam o dólar e as bolsas de valores

O dólar iniciou a sessão desta quarta-feira (11) com os olhos voltados para o cenário interno e externo, enquanto o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, abriu às 10h. A escalada das tensões no Oriente Médio permanece na mira dos investidores, mesmo após declarações do presidente americano, Donald Trump, de que a guerra estaria "praticamente terminada". Na terça-feira, Teerã foi novamente bombardeada pelos Estados Unidos e por Israel, em ataques descritos como os mais intensos do conflito até agora.

Impacto do petróleo nos mercados globais

Em resposta aos ataques, a Guarda Revolucionária do Irã afirmou que bloqueará os embarques de petróleo do Golfo Pérsico, a menos que os ataques cessem. A dificuldade no transporte da commodity pelo Estreito de Ormuz continua a preocupar os mercados, pois essa passagem é uma das principais rotas de petróleo no mundo. Seu fechamento tende a diminuir a oferta global, causando oscilações significativas nos preços.

Os preços do petróleo dispararam nos últimos dias, chegando a subir até 30% e aproximando-se de US$ 120 por barril (cerca de R$ 630). Esse movimento ocorreu em meio às preocupações com a guerra no Oriente Médio, que entra na segunda semana sem sinal de trégua, levantando temores sobre possíveis interrupções no fornecimento global de energia.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

No entanto, nesta terça-feira, as cotações começaram a recuar após uma sequência recente de altas. Perto das 17h30, o barril do Brent, referência global, registrou uma queda de 8,38% nos contratos para entrega em abril, cotado a US$ 90,67. Já o WTI, dos EUA, caía 8,68%, cotado a US$ 86,54 por barril nos contratos para março.

Reações dos mercados internacionais

A maioria dos mercados internacionais fechou em alta nesta terça-feira, após dias de volatilidade ligados ao conflito no Oriente Médio. A queda do preço do petróleo reduziu parte das preocupações com o impacto da energia mais cara sobre a economia global. A exceção foi Wall Street, onde os três principais índices americanos fecharam com sinais mistos:

  • Dow Jones caiu 0,07%, aos 47.706,51 pontos
  • S&P 500 recuou 0,21%, para 6.781,48 pontos
  • Nasdaq Composite ganhou 0,01%, aos 22.697,10 pontos

Na Europa, as bolsas fecharam em alta, recuperando parte das perdas registradas nos últimos dias. O STOXX 600 subiu 1,82%, aos 605,76 pontos. Entre os principais mercados:

  • DAX de Frankfurt avançou 2,39%, aos 23.968,63 pontos
  • FTSE 100 de Londres ganhou 1,59%, aos 10.412,24 pontos
  • CAC 40 de Paris subiu 1,79%, alcançando 8.057,36 pontos

Na Ásia, as bolsas também encerraram o dia em alta, recuperando parte das quedas recentes. A declaração de Trump de que o conflito poderia "acabar em breve" contribuiu para a recuperação. No fechamento:

  • Em Xangai, o índice SSEC subiu 0,65%, aos 4.123 pontos
  • O CSI300 avançou 1,28%, aos 4.674 pontos
  • Em Hong Kong, o Hang Seng ganhou 2,17%, chegando a 25.959 pontos
  • Em Tóquio, o Nikkei registrou alta de 2,88%, aos 54.248 pontos

Desempenho do dólar e do Ibovespa

O dólar acumulou uma queda de 1,66% na semana, mas registrou alta de 0,44% no mês e recuo de 6,05% no ano. Já o Ibovespa apresentou um desempenho positivo na semana, com alta de 2,28%, embora tenha recuado 2,83% no mês e acumulado ganhos de 13,85% no ano.

O movimento de recuo do petróleo ocorre um dia depois de Donald Trump afirmar que espera um desfecho mais rápido para o conflito no Oriente Médio do que o prazo anteriormente estimado de quatro a cinco semanas. A sinalização de um possível alívio nas tensões ajudou a reduzir parte da pressão sobre as cotações da commodity.

Ainda assim, o mercado segue atento a novos desdobramentos da guerra, depois de autoridades americanas — entre elas o secretário de Defesa, Pete Hegseth, e o general Dan Caine — indicarem que os ataques contra o Irã estariam se intensificando. Do lado iraniano, autoridades também ameaçaram manter restrições ao fornecimento de petróleo na região.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar

Além disso, produtores do Oriente Médio ainda não retomaram a produção em larga escala, enquanto os custos de transporte da commodity tendem a permanecer elevados por algum tempo. Esses fatores continuam sustentando a volatilidade no mercado de energia e, consequentemente, influenciando o comportamento do dólar e das bolsas ao redor do mundo.