Dólar fecha abaixo de R$ 5 pela primeira vez desde março de 2024
Após uma sequência de quedas significativas, a moeda norte-americana encerrou a sessão desta segunda-feira, dia 13, cotada a R$ 4,99, rompendo a barreira psicológica de R$ 5 pela primeira vez desde o mês de março do corrente ano. Este movimento acentuado de desvalorização do dólar frente ao real levanta uma questão crucial entre investidores e viajantes: seria este o momento ideal para realizar a aquisição da moeda estrangeira? Especialistas consultados pelo g1 são unânimes em afirmar que a resposta não é tão direta, recomendando uma abordagem estratégica e cautelosa.
Estratégia recomendada: compra fracionada e foco no longo prazo
Marcos Praça, diretor de análise da ZERO Markets Brasil, destaca que, embora o cenário seja favorável, a melhor tática é realizar compras de forma gradual. "Para uma viagem, o recomendado é sempre fracionar a compra em pelo menos três períodos até o dia do embarque. Assim, você consegue um preço médio e evita aquela sensação de ter comprado mal", explica. No contexto de investimentos, a orientação é tratar o dólar como um instrumento de proteção patrimonial, mantendo uma parcela dos ativos dolarizada independentemente das flutuações momentâneas do mercado.
André Galhardo, economista-chefe da consultoria Análise Econômica, reforça essa visão, defendendo a diluição das aquisições para equilibrar o custo médio. "Se existe uma necessidade de compra de moeda estrangeira, eu diria que a melhor estratégia é comprar um pouco por dia, por semana, buscando fazer um preço médio interessante. Apostar na continuidade da valorização da moeda brasileira é um risco", alerta. Ele ressalta que a volatilidade atual torna arriscado concentrar grandes volumes de compra em um único momento.
Boa oportunidade com ressalvas para diversificação
Analistas do mercado financeiro enxergam a atual cotação como uma janela de oportunidade, desde que aproveitada com prudência. Edson Mendes, sócio-fundador da Private Investimentos, classifica a queda do dólar para a faixa de R$ 5 como uma "boa oportunidade" para reforçar posições na moeda, considerando projeções que indicam um fechamento acima de R$ 5,37 em 2026. Sérgio Samuel dos Santos, economista do Sistema Ailos, concorda, avaliando o patamar atual como ideal para diversificação de carteiras ou compra parcial.
Rafael Minotto, analista da Ciano Investimentos, também vê o momento como propício, mas adverte sobre a sensibilidade do dólar a fatores externos. "O dólar é sensível a variáveis como guerra, juros, petróleo e cenário fiscal. O investidor precisa estar ciente dos riscos de volatilidade", pondera, enfatizando a importância de uma abordagem informada.
Fatores por trás da queda: instabilidade global e juros elevados
A recente desvalorização do dólar reflete, em grande medida, o aumento da instabilidade global, impulsionado por ações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Incertezas comerciais e geopolíticas têm levado investidores a buscar diversificação em mercados emergentes, como o Brasil, ampliando a entrada de capital e pressionando a moeda norte-americana para baixo. Além disso, o Brasil oferece uma das maiores taxas de juros reais do mundo, atraindo aplicações estrangeiras que aumentam a oferta de dólares no país.
Conflitos como a guerra no Oriente Médio, iniciada em 28 de fevereiro, interromperam temporariamente a tendência de queda no início do ano, elevando a cotação acima de R$ 5,30 em março. No entanto, sinais de um frágil cessar-fogo e possíveis acordos de paz entre EUA e Irã contribuíram para a retomada da desvalorização em abril. Rafael Costa, fundador da Cash Wise Investimentos, observa que o movimento é global e pode estar alinhado a uma estratégia econômica de Trump para enfraquecer o dólar e atrair investimentos domésticos.
Marcos Praça complementa, destacando a abundância nas exportações de commodities brasileiras como um fator que sustenta a tendência, especialmente em um contexto onde o país é menos impactado por tensões geopolíticas. Em resumo, enquanto o cenário atual oferece oportunidades, a recomendação dos especialistas é clara: aproveitar com moderação, diluir as compras e manter o foco no longo prazo, sempre atento aos riscos inerentes ao mercado cambial.



