Copom sinaliza início modesto de corte da Selic em março, com cautela sobre inflação
Copom indica corte modesto da Selic em março com cautela

Copom sinaliza início modesto de corte da Selic em março, com cautela sobre inflação

A ata da última reunião do Comitê de Política Monetária, divulgada nesta terça-feira, indica que o início do ciclo de cortes da taxa básica de juros, a Selic, pode ser mais modesto do que parte do mercado esperava. O Banco Central admite a possibilidade de reduzir os juros a partir de março, mas adverte que a inflação ainda resiste a convergir para o centro da meta nas projeções até 2027, exigindo cautela nas decisões monetárias.

Expectativas de inflação elevadas justificam cautela

O tom geral do documento é de preocupação com as expectativas de inflação, que seguem acima do centro da meta de 3%, situando-se em 3,4% neste ano e em 3,2% em 2027. Na semana passada, o colegiado do BC manteve a Selic em 15% ao ano, mas sinalizou disposição para iniciar a flexibilização a partir da próxima reunião. No entanto, a autoridade monetária reforça que manterá a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta, o que sugere cortes graduais.

O Copom observou que, em um ambiente de expectativas desancoradas, como é o caso atual, exige-se uma restrição monetária maior e por mais tempo do que seria apropriado em outras circunstâncias. As expectativas desancoradas referem-se ao fato de que o mercado ainda não enxerga a inflação convergindo para o centro da meta, devido a fatores como a inflação de serviços resiliente e o mercado de trabalho aquecido.

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Fatores que impactam a política monetária

Entre os motivos para o ceticismo em relação à convergência inflacionária, destacam-se:

  • A inflação de serviços, que permanece alta em função do aumento da renda acima dos ganhos de produtividade da economia.
  • O mercado de trabalho ainda aquecido, com a taxa de desocupação há meses na mínima histórica.
  • A necessidade de arrefecimento da demanda agregada para reequilibrar oferta e demanda.

A ata também cobrou mais responsabilidade fiscal do governo, afirmando que uma política fiscal contracíclica e que contribua para a redução do prêmio de risco favorece a convergência da inflação à meta. O BC alertou que o esmorecimento no esforço de reformas estruturais e disciplina fiscal, o aumento de crédito direcionado e as incertezas sobre a estabilização da dívida pública podem elevar a taxa de juros neutra da economia, impactando a potência da política monetária.

Decisões futuras dependem de novas informações

O Copom esclarece que a magnitude e a duração do ciclo de distensão monetária serão determinadas ao longo do tempo, à medida que novas informações forem incorporadas às análises. Essa decisão é compatível com o cenário atual, no quais sinais mistos sobre o ritmo de desaceleração da atividade econômica e seus efeitos sobre o nível de preços ainda dificultam a identificação de tendências claras.

Em resumo, enquanto o Banco Central se prepara para possivelmente iniciar os cortes da Selic em março, a moderação no ritmo de queda reflete a cautela necessária diante de uma inflação persistente e desafios fiscais, com o objetivo final de garantir a estabilidade econômica a longo prazo.

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