Recursos esquecidos: Banco Central mantém R$ 10,27 bilhões disponíveis para resgate
O Banco Central do Brasil divulgou, nesta terça-feira (10), um balanço atualizado sobre os chamados "recursos esquecidos" que ainda permanecem nas instituições financeiras do país. Segundo os dados oficiais, contabilizados até dezembro do ano passado, o montante total chega a impressionantes R$ 10,27 bilhões aguardando serem reclamados por seus legítimos donos.
Distribuição dos valores entre pessoas físicas e jurídicas
Desse valor colossal, a maior parte corresponde a recursos de pessoas físicas. Conforme detalhado pelo BC:
- R$ 7,97 bilhões pertencem a 49,59 milhões de pessoas físicas, incluindo situações de titulares falecidos.
- R$ 2,29 bilhões são valores esquecidos por 5,02 milhões de empresas (pessoas jurídicas).
É importante destacar que, até o momento, o Banco Central já viabilizou a devolução de R$ 13,35 bilhões em recursos que estavam esquecidos nas instituições financeiras, demonstrando a efetividade do sistema de consulta e resgate.
Prazo de resgate: mito e realidade
Muitos cidadãos acreditavam que o prazo oficial para buscar esses recursos teria expirado em 16 de outubro de 2024. No entanto, o Ministério da Fazenda esclareceu que não há prazo limite para que clientes resgatem os valores nas instituições financeiras. Portanto, o direito ao resgate permanece válido indefinidamente.
Como consultar e resgatar o dinheiro esquecido
O processo para verificar se há valores a receber é centralizado em uma única plataforma oficial:
- Acesse o site https://valoresareceber.bcb.gov.br, que é o único canal autorizado para consultas de pessoas físicas (inclusive falecidas) e jurídicas.
- Para liberar os valores via sistema do Banco Central, é necessário fornecer uma chave PIX cadastrada.
- Caso não possua uma chave PIX, o cidadão deve entrar em contato diretamente com a instituição financeira para combinar a forma de recebimento, ou criar uma chave e retornar ao sistema para solicitar o resgate.
Para valores pertencentes a pessoas falecidas, é preciso que o solicitante seja herdeiro, testamentário, inventariante ou representante legal, além de preencher um termo de responsabilidade. Após a consulta, é necessário contatar as instituições onde há valores a receber para verificar os procedimentos específicos.
Novidade: pedido automático de resgate
Desde maio do ano passado, o Banco Central implementou uma funcionalidade que permite habilitar uma solicitação automática de resgate de valores a receber. Esta adesão é facultativa e visa facilitar a vida do cidadão, que não precisará consultar o sistema periodicamente nem registrar manualmente cada solicitação.
Para habilitar o serviço automático, é necessário:
- Acessar o Sistema Valores a Receber (SVR) com uma conta gov.br de nível prata ou ouro.
- Ter a verificação em duas etapas ativada.
- Possuir uma chave PIX do tipo CPF (quem não tem deve cadastrá-la junto à instituição financeira).
Vale ressaltar que o cidadão não receberá aviso do Banco Central quando algum valor for devolvido; o crédito será feito diretamente pela instituição financeira em sua conta. Instituições que não aderiram ao termo de devolução via PIX, ou valores de contas conjuntas, ainda exigem solicitação manual.
Ferramentas de segurança e alerta contra golpes
Em fevereiro, o Banco Central reforçou a segurança do Sistema Valores a Receber para prevenir fraudes. O acesso continua exigindo conta gov.br nível prata ou ouro, mas agora com duas etapas de verificação de segurança. Quem não tem o aplicativo gov.br no celular precisa baixá-lo, preencher as informações e realizar validação facial para liberar as duas etapas.
O acesso ao sistema é feito com CPF e senha, seguido de um código gerado no aplicativo. Um alerta crucial: o governo não entra em contato solicitando dados pessoais ou informações extras para a devolução dos recursos por mensagem ou ligação telefônica. Fique atento e proteja-se de possíveis golpes.



