Banco Central avalia impacto da liquidação do Master e alerta para cenário internacional
O Banco Central divulgou nesta quinta-feira (19) a ata da reunião do Comitê de Estabilidade Financeira (Comef), realizada nos dias 11 e 12 de março, que traz análises sobre a liquidação extrajudicial do Conglomerado Master e avaliações sobre os riscos do cenário internacional, marcado pela guerra no Oriente Médio.
Liquidação do Master não afetou sistema financeiro nacional
De acordo com o documento do Banco Central, a retirada do mercado das instituições integrantes do Conglomerado Master não gerou efeitos negativos no sistema financeiro nacional, pois os mecanismos de proteção existentes foram acionados conforme o modelo institucional vigente.
"Os mecanismos de proteção existentes associados ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) foram acionados conforme o modelo institucional vigente, evidenciando a capacidade de absorção de choques e a resiliência do sistema financeiro", afirmou o Banco Central em relação à liquidação dos bancos ligados ao Master.
O FGC é uma associação privada sem fins lucrativos que integra o Sistema Financeiro Nacional e atua na manutenção da estabilidade do sistema, garantindo que os recursos depositados ou investidos em um banco permaneçam protegidos caso a instituição enfrente crises ou dificuldades.
Nove instituições foram liquidadas
Enquanto a Polícia Federal investiga irregularidades no Master, nove instituições financeiras ligadas ao banco de Daniel Vorcaro, que está preso, foram liquidadas:
- Banco Master S/A
- Banco Master de Investimento S/A
- Banco Letsbank S/A
- Master S/A Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários
- Reag Trust
- Will Financeira
- Banco Pleno
- Pleno Distribuidora Títulos e Valores Mobiliário S.A
- Banco Master Múltiplo S/A
As liquidações do conglomerado, incluindo a do próprio Master, do Will Bank e do Pleno, estão consumindo R$ 51,8 bilhões em pagamentos a clientes e investidores afetados, segundo estimativas do próprio FGC.
Antes do caso vir à tona, o FGC possuía patrimônio de R$ 160 bilhões, dos quais R$ 122 bilhões correspondiam a recursos líquidos em caixa. Para capitalizar novamente o fundo, o Banco Central anunciou no início deste mês resolução para que os bancos direcionem ao FGC recursos recolhidos dos depósitos compulsórios, medida que poderá injetar cerca de R$ 30 bilhões até 2026.
Cenário internacional apresenta riscos
O Comitê de Estabilidade Financeira do Banco Central alertou que o cenário global "prospectivo" (futuro) segue apresentando riscos que podem levar à materialização de cenários de reprecificação de ativos financeiros globais, como subida do petróleo e mudanças no dólar.
"As incertezas associadas ao reposicionamento das políticas econômicas, aos eventos geopolíticos e aos seus impactos sobre os ritmos de crescimento da atividade e da inflação se intensificaram", avaliou o BC no documento.
A autoridade monetária observou que a materialização recente de riscos geopolíticos, com referência específica à guerra no Oriente Médio, aumentou a volatilidade nos mercados. Até o momento, os efeitos concentram-se nos preços de commodities, sem contágio em mesma proporção para outros ativos financeiros.
Sistema financeiro internacional mostra resiliência
Apesar dos alertas, o Banco Central destacou que o sistema financeiro internacional tem demonstrado "resiliência", mesmo com a "incerteza de política econômica" permanecendo elevada.
"O regime de câmbio flutuante segue absorvendo choques e o sistema financeiro internacional segue em realocação ordenada de posições", concluiu o BC na análise do cenário global.
O documento do Comef representa uma avaliação abrangente tanto da situação doméstica, com a liquidação do Conglomerado Master, quanto dos desafios internacionais, destacando a importância dos mecanismos de proteção como o FGC para a estabilidade do sistema financeiro brasileiro.



