O Brasil registrou um crescimento médio de 3% ao ano no período entre 2022 e 2025, um desempenho que, embora não seja excepcional para economias emergentes, superou os índices observados após a Grande Recessão de 2014-16 e a pandemia. No entanto, especialistas alertam que essa velocidade de expansão é insustentável a longo prazo, principalmente devido à queda acentuada da taxa de desemprego, que reduziu de 13,5% em 2021 para 5,9% em 2025.
Esgotamento da Força de Trabalho
Com uma diminuição de 7,7 pontos percentuais no desemprego, a maior parte do aumento do Produto Interno Bruto (PIB) nesses anos pode ser atribuída a esse fator. Contudo, como não é possível alcançar taxas de desemprego negativas, o país não poderá repetir essa façanha nos próximos ciclos econômicos. O crescimento da população em idade de trabalhar tem se mantido em torno de 0,7% ao ano, limitando a capacidade de expansão baseada apenas na mão de obra.
Desafios da Produtividade
Para sustentar um crescimento mais vigoroso, o Brasil depende da expansão da produtividade, medida pelo PIB por hora trabalhada. Entretanto, os dados são preocupantes: de 2012 a 2025, a produtividade cresceu a um ritmo glacial de 0,17% ao ano. Nos últimos dois anos, houve uma leve aceleração para 0,4% ao ano, mas esse patamar ainda é insuficiente para impulsionar a economia de forma significativa.
Somando-se ao crescimento populacional, o ritmo de expansão sustentável do produto mal supera 1% ao ano, indicando uma trajetória de desaceleração caso não haja mudanças estruturais. Um estudo recente do Banco Central revela que o aumento da produtividade não só é baixo, mas também muito concentrado, com a agropecuária sendo a principal responsável pelos ganhos, enquanto setores como a indústria de transformação enfrentam reduções.
Agenda de Reformas Necessárias
O diagnóstico aponta para a necessidade urgente de reformas nas políticas públicas. A produtividade brasileira não é limitada pela falta de recursos, mas pela forma ineficiente como são utilizados, devido a fatores como proteção excessiva, baixa difusão tecnológica e distorções regulatórias. Esses elementos mantêm capital e trabalho em usos pouco produtivos, impedindo que empresas mais eficientes ganhem participação no mercado.
Reformas para aumentar a integração comercial, melhorar o capital humano e combater a captura do Estado por grupos de interesse são cruciais. Sem essas medidas, o país pode continuar a crescer, mas em um ritmo cada vez mais lento, comprometendo o potencial de dobrar a renda per capita em uma geração.
Em resumo, enquanto o Brasil celebrou um crescimento impulsionado pelo emprego nos últimos anos, o futuro econômico depende de avanços na produtividade e de reformas estruturais para evitar uma desaceleração inevitável.



