Postos de Ribeirão Preto aumentam preço do diesel sem autorização da Petrobras
Postos de combustível em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, têm cobrado valores mais altos pelo diesel desde o início do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã, mesmo sem a Petrobras autorizar qualquer reajuste nas distribuidoras. A empresa estatal também negou que tenha havido racionamento de combustível nas refinarias, conforme informações divulgadas pela Associação Núcleo Postos de Ribeirão Preto (ANPRP), que representa 85 revendedores da cidade e região.
Elevação de preços e medidas governamentais
Segundo a ANPRP, a elevação superou, em média, R$ 1 por litro nos primeiros dez dias de março, atribuindo parte do aumento a elevações em algumas distribuidoras, apesar das contenções de preços em âmbito federal. Em resposta, a União lançou um pacote de medidas nesta quinta-feira, 12 de março, com o objetivo não apenas de evitar novos aumentos, mas também de reduzir o custo do diesel para os consumidores. As medidas incluem isenções fiscais sobre o diesel e taxação sobre exportações de petróleo.
Além disso, o governo solicitou ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) que investigue os recentes aumentos considerados indevidos no preço do diesel, visando proteger os consumidores de práticas abusivas.
Impacto nos preços finais e relatos de empresários
O preço final dos combustíveis é determinado por uma série de fatores, como a cotação internacional do barril de petróleo, impostos, custos com transporte, distribuição e revenda. A Petrobras, como reguladora do mercado no Brasil, é responsável por anunciar eventuais reajustes. No entanto, mesmo sem nenhum anúncio oficial desde o início do conflito, uma reportagem da EPTV, afiliada da TV Globo, encontrou postos vendendo o diesel entre R$ 7,49 e R$ 8,00 por litro.
Para empresários locais, que até recentemente pagavam pouco mais de R$ 5,00 pelo litro, a situação é preocupante. Jesiel Mendes, dono de uma transportadora, relata que gastava em média de R$ 30 mil a R$ 45 mil por mês para abastecer seus caminhões, mas com os reajustes recentes, seus custos aumentaram significativamente. "Um reajuste de 15% a 17% mais ou menos. Para nós, que temos um custo com diesel nas nossas operações de R$ 30 mil a R$ 45 mil por mês, estamos falando de R$ 3 mil a R$ 4 mil por mês a mais", afirma Mendes.
Thiago Luís Vernillo, também empresário e dono de uma distribuidora, já sentiu os efeitos no bolso, especialmente com as variações de preço durante as viagens. "A gente se baseia que o diesel está sempre R$ 5,40, R$ 5,70. A gente sai para viagem, e no meio do caminho, por causa dessa confusão de guerra em outros países, o diesel acaba subindo. A gente saiu aqui de Ribeirão, por exemplo, no sábado com o diesel a R$ 5,40. O motorista que estava voltando dessa viagem já está pagando nas bombas R$ 8,50", relata Vernillo.
Conclusão e contexto regional
O aumento no preço do diesel em Ribeirão Preto, mesmo sem autorização formal da Petrobras, tem gerado impacto direto na economia local, afetando principalmente empresários do setor de transporte e logística. As ações governamentais buscam mitigar esses efeitos, mas a situação continua a ser monitorada de perto pela comunidade e autoridades.
