PIB brasileiro desacelera, mas mantém expansão de 1,7% em 2026 e 2027
A economia brasileira encerrou o ano de 2025 em uma trajetória clara de moderação, porém ainda sustentada por pilares fundamentais que afastam o risco iminente de uma recessão. A análise detalhada dos dados referentes ao quarto trimestre reforça esse cenário e serve de base para as projeções de um crescimento mais contido nos próximos dois anos.
Projeções e cenário econômico
Segundo a economista Claudia Moreno, do C6 Bank, a estimativa atual aponta para um avanço do Produto Interno Bruto (PIB) de 1,7% em 2026, repetindo o mesmo percentual em 2027. Para o ano de 2026, existe a expectativa consolidada do início do ciclo de cortes da taxa Selic, possivelmente já no mês de março. "Mesmo com o provável início do ciclo de cortes, os juros permanecerão em patamar elevado, o que deve continuar contribuindo para frear a atividade econômica de forma significativa", pontua Claudia Moreno.
Por outro lado, uma série de medidas de estímulo adotadas pelo governo federal, como a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda – já em vigor –, combinadas com um mercado de trabalho que se mantém aquecido, devem oferecer um suporte adicional robusto à atividade econômica nacional, evitando uma retração mais profunda.
Análise setorial da economia
Sob a ótica da oferta, a atividade econômica demonstrou expansão na maior parte dos setores no final de 2025. O segmento de serviços, que é o principal componente do PIB brasileiro, cresceu 0,8%, mantendo-se resiliente mesmo em um ambiente de crédito ainda restrito. Em sentido diametralmente oposto, a indústria registrou uma retração de 0,7%, pressionada sobretudo pelas indústrias de transformação, que caíram 0,6%, e pela construção civil, que recuou expressivos 2,3% – setores estes que são historicamente mais sensíveis ao nível elevado das taxas de juros.
Perspectiva da demanda e consumo
Sob a perspectiva da demanda interna e externa, o destaque incontestável ficou com as exportações, que cresceram 3,7%, demonstrando uma capacidade notável de expansão mesmo diante das tarifas impostas pelos Estados Unidos a determinados produtos brasileiros. "Já a formação bruta de capital fixo – indicador intimamente ligado aos investimentos das empresas no aumento de sua capacidade produtiva – recuou 3,5%, enquanto as importações caíram 1,8%. O consumo das famílias, que tem um peso extremamente importante no cálculo do PIB, ficou praticamente estável", explicou detalhadamente a economista Claudia Moreno.
Em resumo, a economia brasileira navega por um período de desaceleração previsível, mas mantém uma trajetória de expansão moderada, sustentada por um equilíbrio delicado entre políticas de estímulo fiscal e um ambiente de juros que, mesmo em queda, permanece restritivo.
