Inflação de fevereiro supera expectativas do mercado, mas acumulada em 12 meses se aproxima da meta
O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou uma alta de 0,7% em fevereiro, conforme dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira, 12 de março de 2026. Esse resultado ficou acima da expectativa do mercado financeiro, que projetava um aumento de 0,66% para o mês. A principal responsável pela elevação foi o reajuste anual das mensalidades escolares, um componente sazonal que tradicionalmente impacta a inflação no início do ano letivo.
Inflação acumulada em 12 meses recua para 3,81%, melhorando perspectivas monetárias
Apesar da alta mensal, a inflação acumulada nos últimos doze meses apresentou uma queda significativa, passando de 4,44% para 3,81%. Essa redução aproxima o índice da meta estabelecida pelo Banco Central, que é de 3% ao ano, e melhora as perspectivas para a política monetária. João Pedro Moreno, analista de renda variável da corretora Nexgen Capital, destaca que "esse IPCA reforça a percepção de um processo de convergência inflacionária para a meta do Banco Central, ainda que com pressões pontuais em alguns segmentos da economia".
Alta do petróleo gera apreensão no mercado financeiro
Contudo, a última semana trouxe mais apreensão do que alívio para os agentes do mercado financeiro. O motivo é a disparada do preço do petróleo no cenário internacional, que saltou de cerca de 70 dólares por barril para aproximadamente 100 dólares por barril desde o início do conflito no Irã, há menos de duas semanas. Em fevereiro, antes dessa alta, o preço da gasolina no Brasil registrou uma queda de 0,61%, segundo o IPCA.
Analistas temem que o conflito no Oriente Médio possa ter um impacto agressivo nos preços domésticos, uma vez que a Petrobras costuma repassar a alta internacional ao mercado interno. Rafael Minotto, analista da Ciano Investimentos, alerta que "o petróleo é um ponto de atenção. O combustível segue com pressões de alta, o que pode afetar futuramente a inflação".
Banco Central mantém cautela em meio a ciclo de cortes de juros
O contexto geopolítico inspira cautela por parte do Banco Central, que se prepara para um ciclo de corte de juros. Há incertezas sobre como essa prudência afetará a política monetária nos próximos meses. Marcus Novais, sócio-fundador da Private Investimentos, tranquiliza sobre a trajetória da inflação, afirmando que "a alta foi puxada principalmente pelos preços da educação e do transporte, ou seja, mostra um efeito sazonal". Por ora, ele segue apostando em um corte de 0,5 ponto percentual na taxa Selic durante a próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom).
Projeções de inflação para 2026 já apresentam viés altista
O mercado não arrisca prever uma interrupção do ciclo de cortes de juros que nem começou, mas alguns analistas já revisam suas projeções para a inflação. Mariana Rodrigues, economista da SulAmérica Investimentos, explica que "diante da pressão sobre os preços do petróleo resultante da guerra, nossa projeção de 4,1% para a inflação de 2026 já passa a apresentar viés altista". Ela também expressou surpresa negativa com o IPCA de fevereiro, pois a inflação de serviços segue pressionada e acima das expectativas do mercado.
Em resumo, enquanto a inflação acumulada em 12 meses mostra sinais de convergência para a meta, a alta do petróleo emerge como uma nova fonte de preocupação, podendo influenciar as decisões do Banco Central e as projeções econômicas para o ano de 2026.
