Inadimplência das famílias deve ultrapassar 7% em abril, com pressão de crédito caro e renda fragilizada
Projeção do IBEVAR em parceria com a FIA Business School indica uma deterioração gradual do crédito às famílias brasileiras, com a taxa de inadimplência prevista para superar a marca de 7% em abril de 2026. O cenário é marcado por juros elevados, renda pressionada e crescimento moderado da economia, fatores que contribuem para o aumento dos atrasos no pagamento de dívidas.
Alta gradual e consistente da inadimplência
O levantamento projeta que o índice de atrasos acima de 90 dias no crédito com recursos livres para pessoas físicas alcance 7,01% no mês, com um intervalo estimado entre 6,66% e 7,36%. Na prática, esse indicador mede a parcela da carteira de crédito em que consumidores deixaram de pagar ao menos uma prestação por mais de três meses, um sinal relevante de deterioração financeira.
Em fevereiro de 2026, a inadimplência estava cerca de 0,11 ponto percentual abaixo do nível esperado para abril. Na comparação com março, a alta projetada é menor, de 0,05 ponto, mas reforça a tendência de avanço contínuo. Embora o aumento seja considerado moderado, o movimento chama atenção por ocorrer em um ambiente em que o crédito segue caro, dificultando a rolagem de dívidas pelas famílias.
Juros altos e renda pressionada explicam o avanço
O aumento da inadimplência ocorre em um contexto de restrição financeira para os consumidores. Mesmo com alguma desaceleração da inflação, o custo do crédito segue elevado, refletindo ainda os efeitos de uma política monetária apertada nos últimos anos. Além disso, o crescimento da renda não tem sido suficiente para compensar o endividamento acumulado no período pós-pandemia, quando o crédito se expandiu de forma mais intensa.
Esse descompasso entre renda e dívida ajuda a explicar por que mais famílias estão atrasando pagamentos, especialmente em linhas de crédito mais caras, como cartão de crédito e cheque especial. Os pesquisadores alertam que há sinais de que o índice pode ficar mais próximo do teto da estimativa, especialmente após o avanço observado nos atrasos em fevereiro.
Impactos diretos para varejo e bancos
O avanço da inadimplência tende a ter efeitos diretos sobre o consumo e o sistema financeiro. Para o varejo, o aumento dos atrasos reduz a capacidade de compra das famílias e pode afetar vendas, sobretudo em segmentos dependentes de crédito. Já para os bancos, níveis mais altos de inadimplência exigem maior provisionamento para perdas, o que pode pressionar resultados financeiros.
Por outro lado, o cenário também leva instituições financeiras a restringirem a oferta de crédito ou elevarem ainda mais as taxas de juros, criando um ciclo que retroalimenta a dificuldade de pagamento por parte dos consumidores. Isso pode agravar ainda mais a situação econômica das famílias, limitando o acesso a recursos financeiros essenciais.
Tendência de deterioração no curto prazo
A avaliação dos especialistas é que, no curto prazo, o indicador deve seguir pressionado. A expectativa de que a taxa se aproxime de 7,36% indica que o processo de deterioração ainda não atingiu um pico claro. A trajetória futura dependerá principalmente de três fatores: a evolução dos juros, a recuperação da renda real das famílias e o ritmo de crescimento da economia.
Sem melhora consistente nesses pontos, a inadimplência tende a permanecer em patamares elevados ao longo de 2026, limitando a expansão do consumo e mantendo o crédito sob pressão. Isso pode ter repercussões significativas para a economia brasileira como um todo, afetando setores-chave e a confiança dos investidores.



