Guerra no Oriente Médio impulsiona ações da Petrobras e outras petroleiras brasileiras
As ações da Petrobras registraram uma alta expressiva de até 5% nesta segunda-feira, 2 de setembro, impulsionadas pelo conflito em curso entre Estados Unidos, Israel e Irã no Oriente Médio. Este cenário de tensão geopolítica tem beneficiado o setor de petróleo como um todo, com outras empresas brasileiras do ramo, como Prio e Brava Energia, também apresentando ganhos substanciais em suas cotações.
Desempenho das ações e impacto no mercado
Por volta das 15h41, as ações preferenciais da Petrobras, que priorizam o recebimento de dividendos mas não conferem direito a voto, avançavam 3,71%, cotadas a R$ 40,80. No pico do pregão, chegaram a R$ 41,53, representando uma alta de 5,59%. Simultaneamente, a Prio e a Brava Energia subiram até 6,68% e 4,98% nas máximas do dia, respectivamente, refletindo o otimismo do mercado diante da escalada do conflito.
O temor de reduções na oferta de petróleo devido aos confrontos tem pressionado os preços da commodity, sustentando as cotações das ações. Adam Hetts, diretor global de multiativos e gestor de portfólio da Janus Henderson, destacou que os receios de uma paralisação prolongada do tráfego no estreito de Hormuz estão repercutindo fortemente no mercado. "O Estreito de Hormuz é um gargalo crítico no transporte de petróleo no Oriente Médio, por onde passa aproximadamente 20% do suprimento mundial", afirmou ele, enfatizando a importância estratégica da região.
Contexto geopolítico e riscos para a navegação
O conflito escalou no último sábado, 28 de agosto, quando Estados Unidos e Israel atacaram o Irã de surpresa, mirando a cúpula do governo e das Forças Armadas do país. Relatos indicam que os bombardeios resultaram na morte do líder supremo do Irã, Ali Khamenei, e do ex-presidente Mahmoud Ahmadinejad, além de centenas de mortos em outras regiões. Em resposta, o regime iraniano atacou portos e bases dos EUA nos Emirados Árabes Unidos, Qatar, Bahrein, Omã e Kuwait, com o Hezbollah entrando no conflito e Israel bombardeando o Líbano.
Este cenário elevou os riscos para a navegação comercial, com mais de 200 navios, incluindo petroleiros e embarcações de gás natural liquefeito, ancorando nas imediações do estreito de Ormuz e em águas próximas, conforme dados de tráfego marítimo. A redução do tráfego, o aumento dos custos de seguro e o maior risco de navegação estão comprimindo a oferta disponível no curto prazo, conforme destacado em relatório do Banco BTG Pactual.
Impacto nos preços do petróleo e perspectivas futuras
O Brent, referência global do petróleo, disparou até 13% na abertura do mercado internacional no domingo, 1º de setembro, chegando a US$ 81,89 (R$ 420,46) no contrato de maio. Este é o maior valor intradiário desde 22 de junho de 2025, quando atingiu US$ 81,40. O relatório do BTG Pactual ressalta que esses fatores estão incorporando um prêmio geopolítico ao Brent, sendo a duração do conflito determinante para a magnitude dos efeitos no longo prazo.
Em resumo, a guerra no Oriente Médio continua a moldar as dinâmicas do mercado de petróleo, com implicações significativas para as empresas brasileiras do setor e para a economia global. Os investidores permanecem atentos aos desenvolvimentos, enquanto as cotações refletem a incerteza e os riscos associados à geopolítica regional.
