Guerra no Irã eleva preço do diesel e impacta custos de frete no Brasil
Guerra no Irã eleva diesel e frete no Brasil

Guerra no Irã eleva preço do diesel e impacta custos de frete no Brasil

O aumento do preço do diesel, impulsionado pela guerra no Irã, já começa a impactar significativamente o custo do transporte de cargas no Brasil, com reflexos diretos para o consumidor final. Um levantamento da associação que representa o setor de transporte de cargas e logística aponta que o frete já registra alta média de cerca de 10% em todo o território nacional.

Impacto direto nos custos de transporte

Com o combustível mais caro, as empresas de transporte têm repassado os custos adicionais para seus clientes, gerando uma cadeia de aumentos que afeta diversos setores da economia. O impacto já é sentido em todas as regiões do país e, em algumas localidades específicas, os reajustes podem chegar a impressionantes 50%.

Como o diesel representa até metade dos custos operacionais do transporte rodoviário, qualquer variação no preço deste combustível tem impacto direto e imediato no valor final do frete. Em uma transportadora localizada em Guarulhos, na Grande São Paulo, por exemplo, o valor do frete já subiu 12% nas últimas semanas.

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Reações do mercado e perspectivas

A alta repentina tem gerado reações imediatas entre os clientes das transportadoras. "Tivemos algumas reclamações de clientes dizendo que o preço está muito alto. Mas o mercado está volátil e tudo vem subindo", afirma Luigi Rosolen, diretor da West Cargo, destacando a pressão generalizada sobre os custos logísticos.

A Associação Nacional de Transportes de Cargas e Logística (NTC&Logística) confirma a tendência de aumento generalizado. "Em média, nós podemos dizer que o frete está sendo corrigido na ordem de 10%. Sem dúvida nenhuma, todo o frete tem que ser repassado para quem vai colocar na planilha de custo dele", explica Eduardo Rebuzzi, presidente da entidade.

Dependência do transporte rodoviário amplia efeitos

O professor de economia do Insper, Otto Nogami, destaca que o impacto é ampliado pela forte dependência do transporte rodoviário no Brasil. "Para se ter uma ideia, 60% do transporte de cargas é feito por caminhão no país", ressalta o especialista, indicando que a estrutura logística nacional torna o setor particularmente vulnerável a variações no preço dos combustíveis.

Consequências no agronegócio e medidas da Conab

No campo, as consequências da alta do diesel também já são sentidas de forma concreta. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) cancelou contratos de frete por causa do aumento do combustível e analisa outros casos individualmente.

A medida busca garantir o transporte de grãos e evitar prejuízos no abastecimento nacional. Em nota oficial, a Conab informou que as ações visam assegurar a continuidade do programa de venda em balcão, que facilita o acesso de pequenos produtores a insumos agrícolas essenciais.

Posicionamento da Petrobras

Já a Petrobras, por sua vez, informou que todas as suas refinarias estão operando com capacidade máxima e que todo o combustível produzido está sendo entregue ao mercado sem interrupções. A estatal afirmou ainda que antecipou as entregas de março, que estão até 15% acima do volume previamente negociado com distribuidoras.

A empresa reforçou que vem cumprindo todos os seus compromissos comerciais estabelecidos, mesmo diante do cenário internacional volátil causado pelo conflito no Oriente Médio. A situação requer monitoramento constante, pois qualquer nova escalada no conflito pode gerar impactos adicionais nos preços dos combustíveis e, consequentemente, nos custos logísticos em todo o Brasil.

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